[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

segunda-feira, 29 de junho de 2015

[1009.] MARIA BARROSO [IV] || FACES DE EVA - 1999

* MARIA DE JESUS SIMÕES BARROSO SOARES *

* ENTREVISTA A ILDA SOARES DE ABREU PUBLICADA NO PRIMEIRO NÚMERO DA REVISTA FACES DE EVA || 1999







[Faces de Eva. Estudos sobre a mulher, N.º 1-2, 1999]

domingo, 28 de junho de 2015

[1008.] MARIA BARROSO [III] || AFPP

* MARIA DE JESUS SIMÕES BARROSO SOARES *

** ATIVISTA DA ASSOCIAÇÃO FEMININA PORTUGUESA PARA A PAZ *

[Fotografia in Lúcia Serralheiro, Mulheres em grupo contra a corrente, 2011]

Maria Barroso integrou a Associação Feminina Portuguesa para a Paz e colaborou numa sessão de poesia organizada em Lisboa aquando das comemorações do seu XV aniversário.

O Sarau de Poesia decorreu a 9 de junho de 1950 na Casa do Alentejo, contou também com a participação de Manuela Porto e Maria Barroso incluiu no seu reportório poemas de Beatriz Bandeira (Hora presente), Camilo Pessanha (Um soneto), Carlos de Oliveira (Canção de jorna), Joaquim Namorado (Os pequenos pedintes), Manuel da Fonseca e Vitorino Nemésio. 

No âmbito da sua intervenção na AFPP, Maria Barroso concedeu uma entrevista a Lúcia Serralheiro em 7 de novembro de 2008, tendo então referido que "ainda sei de cor O Prometeu, de Joaquim Namorado, que era um verdadeiro panfleto: «triturai os meus ossos que aqui ninguém se entrega». Eu dizia isto com uma força e com um entusiasmo...  A primeira vez que fui à PIDE foi com esse poema... Eles não gostavam desse poema. Também recitei António Feijó, Mário Dionísio e o Manuel da Fonseca: «eram campos, campos... eram cabeços redondos». Tão bonito, tão bonito! Os poetas já morreram todos... ainda me lembro de poemas de há 60 anos. A poesia era uma forma de luta, de caráter social, interessava estar contra a ditadura" [Mulheres em grupo contra a corrente, Evolua Edições, 2011].

Segundo Lúcia Serralheiro, em 6 de agosto de 1950 o jornal República publicou o seu depoimento à questão «O que de mais emocionante ocorreu na sua carreira?», no âmbito de um inquérito às mulheres profissionais com o título «Dá licença minha senhora?». A resposta de Maria Barroso foi: «Terem-me escolhido para Benilde ou a Virgem Mãe» . 

[1007.] MARIA BARROSO [II] || 1969 - CDE

* MARIA DE JESUS SIMÕES BARROSO SOARES *

** CANDIDATA POR SANTARÉM NA LISTA DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA - CDE || OUTUBRO DE 1969 **

 [As eleições de Outubro de 1969, Publicações Europa-América, 1970]

Maria Barroso integrou a lista da Oposição Democrática - CDE juntamente com António Reis [António Fernando Marques Ribeiro Reis], Alexandre Cabral [José dos Santos Cabral, 1917-1996], Antunes da Silva [António Antunes da Silva, 1911-1979], Marques Pereira [José Fidalgo Marques Pereira, 1930-1988] e Lino Neto [Francisco de Assis de Mendonça Lino Neto, 1918-1997].

O nome de Blasco Hugo Fernandes [1930-2002] não foi admitido, sendo substituído por Alexandre Cabral.

Invulgar na nota biográfica de Maria Barroso é a informação de que pertenceu, entre outras organizações, à Associação Feminina Portuguesa para a Paz, pois muito poucas mulheres se referiam publicamente a esta agremiação proibida pela ditadura em 1952.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

[1006] MARIA BARROSO [I] || 1974 - DIÁRIO DE LISBOA

* MARIA DE JESUS SIMÕES BARROSO SOARES *

[Fotografia in Lúcia Serralheiro, Mulheres em grupo contra a corrente, 2011]

- ENTREVISTA [MUITO] POUCO CONHECIDA DE MARIA BARROSO A GINA DE FREITAS, PUBLICADA NO DIÁRIO DE LISBOA EM SETEMBRO DE 1974 -

[NÃO FOI INCLUÍDA NO LIVRO A FORÇA IGNORADA DAS COMPANHEIRAS]





 [Diário de Lisboa, 5 de Setembro de 1974]

domingo, 21 de junho de 2015

[1005.] JORGE GUSTAVO SANCHES DE CASTRO MARQUES DOS SANTOS [I]

[f. 06/11/1964]

[Pormenor de uma fotografia da década de 50]

Médico, poeta, alpinista e pioneiro do montanhismo em Portugal.

Prestigiado antifascista portuense, manteve atividade oposicionista desde os tempos de estudante da Faculdade de Medicina, tendo sido preso em dezembro de 1937

Conviveu, entre outros, com os casais Maria Luísa de Lemos e Osvaldo Santos Silva, militante comunista falecido precocemente aos 39 anos, cujos pais [Eduardo Santos Silva e Ernestina Martins Morgado] viviam numa casa defronte da sua, na Rua do Bonfim, Virgínia de Moura/António Lobão Vital e Maria Branca Ribeiro de Lemos/Afonso de Lemos.

Casou, no início da década de 30 (1933 ou 1934), com Antónia Girão Azuaga dos Santos [1908-2002], ativista da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, sendo que Virgínia de Moura, Maria Branca de Lemos e Maria Luísa Lemos eram também suas ativitas.

[Livro de Curso de 1931-1932, cópia gentilmente cedida pelo filho Jorge Santos]

Quer o desenho, quer os versos, da autoria de Aristides Ribeiro, amigo de juventude e que seria seu cunhado, são bem elucidativos do posicionamento político do futuro médico Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques dos Santos.

Aristides Ribeiro [Aristides Manuel Teixeira Ribeiro], também ele um consequente oposicionista, casou com Maria Edite Girão Azuaga, irmã de Antónia Girão Azuaga dos Santos.

O meu muito obrigado ao filho Jorge Santos pelas  informações e documentação disponibilizadas e autorização para as partilhar.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

[1004.] OLÍVIA DE OLIVEIRA VALENTE DE VASCONCELOS RODRIGUES [I]

* OLÍVIA VALENTE VASCONCELOS *
[07/08/1923-2015]
[Papiniano Carlos e Olívia, pormenor de uma fotografia retirada de Alberto Castro Ferreira

Parteira. 

Sócia nº 313 da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com residência, primeiro, na Rua do Urgal, Oliveira de Azeméis, e depois na R. de S. Victor, no Largo da Cividade, 33. 

O nome com que aparece inscrita na AFPP - Porto é Olívia Valente Vasconcelos, sendo então esta delegação presidida por Irene Castro [1895-1975].

Casou em 1942 com o escritor Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues [09/11/1918-05/12/2012] e o casal iniciou a militância comunista durante a década de 40 por intermédio de Pedro Soares [1915-1975], tendo a sua residência em Oliveira de Azeméis servido de apoio aos funcionários clandestinos do Partido Comunista.

Marcou presença, com Arnaldo Mesquita, Óscar Lopes, Virgínia Moura e Papiniano Carlos, na libertação dos presos políticos no Porto a 26 de Abril de 1974. 

Integrou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Maia, envolveu-se ativamente no país de Abril e manteve, até ao fim, a mesma militância política.

Tal como Papiniano Carlos, seu companheiro de sempre, Olívia faleceu na Maia aos 92 anos.

[Papiniano Carlos e Olívia numa fotografia retirada do sítio da Biblioteca José Régio - Vila do Conde]

segunda-feira, 15 de junho de 2015

[1000.] ANTÓNIO BORGES COELHO [I]

* UMA HISTÓRIA DE PORTUGAL GOSTOSA, ATUAL E IMPERDÍVEL *


[in António Borges Coelho, Os Filipes, Caminho, 2015]

domingo, 14 de junho de 2015

[0999.] ANTÓNIA GIRÃO DE AZUAGA SANTOS [I]

[1908-2002]
[Antónia e Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques  dos Santos | década de 50]

Antónia Girão de Azuaga Santos é mais um dos muitos nomes que continua ignorado, que as histórias não referem e, no entanto, integrou o importantíssimo núcleo do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, agremiação que nas décadas de 40 e de 50 envolveu os principais nomes da oposição feminina daquela cidade, nomeadamente a escritora Ilse Losa, a engenheira Virgínia Moura ou a professora Irene Castro

Filha de Fernanda Girão de Azuaga [1884/5-1968] e de Fernando Ezequiel de Moura Viana de Azuaga, nasceu a 30 de setembro de 1908 em Luanda e faleceu a 4 de novembro de 2002, com 94 anos.

Casou, no início da década de 30 (1933 ou 1934), com Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques dos Santos [f. 06/11/1964], conceituado médico e antifascista portuense, para além de poeta, alpinista e um dos pioneiros do montanhismo em Portugal, que conhecera, ainda estudante de medicina, aquando duma manifestação de jovens estudantes nos primórdios da ditadura.

Em 1934, Antónia Azuaga assinou, com Aida Mesquita, Berta Neves, Cândida Bastos, Cecília Moreira, Claudina Martins, Ema Rosine Cunha, Henriqueta Mesquita, Laura Neves de Castro, Leopoldina Mesquita, Maria Clarisse Bastos, Maria Lucena, Maria Silva e Natalina Mora Pereira Bastos, o manifesto O Dia do Armistício que um grupo de senhoras distribuiu profusamente na cidade do Porto e noutras terras do país.

Na década seguinte, tornou-se a sócia nº 228 da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com residência na Rua do Bonfim, 295. A sua filha, Maria Ermelinda Azuaga Marques dos Santos [junho de 1935 - abril de 2015], estava também inscrita na mesma agremiação, sendo a sócia nº 230.

Conviveu intensamente com a ativista Maria Branca de Lemos e o  marido Afonso, tendo-se ocupado da Casa-Museu Abel Salazar. 

Depois de enviuvar, passou a viver com a filha e o genro [Agostinho dos Santos Monteiro] em Favaios e, posteriormente, na Senhora da Hora, em cujo cemitério se encontra sepultada.

O meu muito obrigado à disponibilidade e amabilidade do filho e da neta, filha de Maria Ermelinda, pelas informações prestadas e que muito contribuíram para a construção desta pequena nota biográfica.

O dar rosto a cada um destes nomes que viveram e lutaram em tempos sombrios, retirando-os assim de um prolongado anonimato, só foi possível pelo contributo do filho Jorge Santos ao ceder esta fotografia do casal datada da década de 50. 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

[0998.] MARIA SOFIA CARRAJOLA POMBA AMARAL DA GUERRA [I]

[18/07/1906 - década de 1970]

Farmacêutica, analista e professora, nasceu a 18 de julho de 1906 em São Pedro, Elvas, e cedo partiu para África.

Conhecida pelas actividades comunistas, antifascistas e anticolonialistas, sobretudo em Moçambique e na Guiné, onde viveu a partir de meados da década de 30. 

Em Lourenço Marques, publicou alguns estudos sobre frutos silvestres e produtos exportáveis, foi analista no Hospital Miguel Bombarda, leccionou na Escola Primária Correia da Silva, onde teve como aluno o poeta, jornalista e activista moçambicano Rui Nogar (1932-1993), e  aderiu ao Partido Comunista Português em Lourenço Marques, por intermédio do ferroviário Cassiano Carvalho Caldas [1915-2002/2003].

Manteve naquela cidade militância activa, colaborou nos jornais Emancipador e Itinerário, publicação editada entre 1941 e 1955, participou, entre 1947 e 1948, na construção de uma estrutura comunista local [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, vol. 3] e desenvolveu, juntamente com Noémia de Sousa, actividades no âmbito do Movimento dos Jovens Democratas Moçambicanos, versão local do MUDJ da metrópole, integrando a direcção. 

Em 1949, tornou-se na primeira mulher branca a ser presa e deportada para a metrópole: apresentada na PIDE em 23 de novembro de 1949, ficou detida em Caxias até 4 de julho de 1950, quando foi libertada por ordem do Tribunal Plenário de Lisboa, por ter sido absolvida. 

Partiu então para Cabo Verde, onde se junta ao marido, e seguiu depois para a Guiné, onde veio a ser proprietária da Farmácia Lisboa e ensinou inglês no Liceu de Bissau. 

Mais uma vez, procurou reatar a actividade política, juntamente com Fausto Teixeira e o médico Gumercindo de Oliveira Correia: Pacheco Pereira refere que Sofia Pomba Guerra era vigiada pela PIDE, que sabia que a farmacêutica recebia e fazia circular revistas comunistas francesas e panfletos portugueses, procurando mesmo organizar células comunistas nos meios operários [JPP, vol. 3]. 

No entanto, onde a sua actuação mereceu destaque e obteve reconhecimento foi junto do embrionário nacionalismo independentista, patente nas referências elogiosas que muitos dos dirigentes guineenses fazem ao seu papel anticolonialista, nomeadamente no auxílio à organização clandestina de reuniões, na prestação de informações relevantes sobre prisões iminentes, como a de Carlos Correia, e na preparação de fugas, como a de Luís Cabral. 

Esteve associada, em janeiro de 1959, à fundação do Movimento de Libertação da Guiné, trabalhando na sua farmácia Epifânio Souto Amado e Osvaldo Vieira, que seria um dos principais combatentes do PAIGC, morto em 1974. 

Amílcar Cabral [1924-20/01/1973], com quem Sofia conviveu na década de 60, no discurso pronunciado num Seminário de Quadros do PAIGC, efectuado entre 19 e 24 de novembro de 1969, referiu-se à contribuição de dois brancos na fuga de Luís Cabral da capital guineense, afirmando explicitamente que “uma pessoa que teve influência no trabalho do nosso Partido em Bissau, foi uma portuguesa. Só quem não está no Partido é que não sabe isso. Ao Osvaldo, a primeira pessoa que lhe ensinou coisas para a luta, foi ela, não fui eu. Eu não conhecia o Osvaldo” [AC, Alguns Princípios do Partido, pp. 21-22].

Posteriormente, Luís Cabral, na sua Crónica de Libertação, evoca os contactos que manteve com esta “deportada para a Guiné, com a indicação de se tratar de um elemento altamente perigoso” e que, “embora vigiada pela polícia política, cujo chefe veio morar mesmo em frente da sua casa, retomou na primeira oportunidade as suas actividades políticas”. 

Relacionou-se com Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Fernando Fortes, Luís Cabral, a quem deu lições de Inglês do 7.º ano do liceu, e muitos outros e, “apesar da posterior separação da actividade anticolonialista do movimento geral antifascista, a dr.ª Sofia Pomba Guerra continuou, como no passado, a ser a amiga e conselheira de cada um de nós” [idem]. 

O rótulo de desterrada política antifascista e comunista acompanhou-a por todos os locais por onde passou e nunca tal a impediu de intervir politicamente e manter-se fiel às suas ideias. 

Morreu antes da independência, no início da década de 70, tendo Luís Cabral reencontrado em Portugal o marido, o dr. Guerra, “que parecia estar sempre muito distante das actividades da esposa, [mas] era um grande patriota e democrata português que encorajava e apoiava essa activi-dade” [idem],  com a filha mais nova Tafia. 

Feminae. Dicionário Contemporâneo, editado pela CIG em 2013, contém a biografia de Sofia Carrajola Pombo Guerra, com a respetiva bibliografia [neste dicionário consta, incorretamente, Carrejola em vez de Carrajola, sendo o nome completo correto Maria Sofia Carrajola Pomba Amaral da Guerra].


[JE]

[0997.] REVISTA FACES DE EVA - 33 [V] // ELZA CHAMBEL [I]

* ELZA CHAMBEL *
[1936-19/05/2015]
[in Faces de Eva. Estudos Sobre a Mulher, 33, 2015]

[0996.] REVISTA FACES DE EVA - 33 [IV] // ANA VICENTE [VI]

* ANA MARIA LOWNDES MARQUES VICENTE *

[1943-2015]

[in Faces de Eva. Estudos Sobre a Mulher, 33, 2015]

[0995.] REVISTA FACES DE EVA - 33 [III] // IVONE LEAL [VII]

* MARIA IVONE DE FREITAS LEAL *
[1924-2013]



[0994.] REVISTA FACES DE EVA - 33 [II] // ÍNDICE





quarta-feira, 10 de junho de 2015

[0993.] JOÃO VARELA GOMES [I]

* JOÃO MARIA PAULO VARELA GOMES *
[n. 24/05/1924]

* O JULGAMENTO DE BEJA || DEPOIMENTO DO CAPITÃO VARELA GOMES *

BOA HORA || JULHO DE 1964






[Documento dactilografado]

[0992.] VIRGÍNIA QUARESMA [III]

[1882-1973]

A primeira jornalista profissional portuguesa e a primeira a ser informada que Portugal ia entrar na 1.ª Guerra.

Em 1919, foi condecorada com o Grande Oficialato da Ordem de Santiago, devido aos serviços prestados durante o conflito mundial, nomeadamente o acompanhamento que fez enquanto jornalista da participação portuguesa.


[Almanaque das Senhoras, 1920]