[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

terça-feira, 24 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

[0947.] ALDA NOGUEIRA [II]

* MARIA ALDA BARBOSA NOGUEIRA *
[1923-1998]


* BIOGRAFIA PRISIONAL *




[Presos Políticos no Regime Fascista VI - 1952-1960]

quinta-feira, 19 de março de 2015

[0946.] ALDA NOGUEIRA [I]

* MARIA ALDA BARBOSA NOGUEIRA *
[19/03/1923-05/03/1998]

[1975]

Filha de uma costureira de alfaiate e de um serralheiro mecânico, Alda Nogueira nasceu a 19 de Março de 1923 em Alcântara, “então um bairro cheio de fábricas, de trabalhadores e muitos dos seus filhos eram meus colegas de escola” [entrevista a Helena Neves].

Andou na Escola da Tapada, em Alcântara, e frequentou o Liceu D. Filipa de Lencastre, onde militou no Socorro Vermelho Internacional, recolhendo géneros e roupas para os espanhóis e foi Presidente da Associação Escolar durante vários anos. 

No Filipa de Lencastre foi aluna de Manuela Palma Carlos, “uma mulher admirável que me despertou para as ciências humanas, para a literatura”, de Irene Alice de Oliveira, “professora de História que me alargou a visão de história, do mundo”, de Alice Graça, “professora de Física, uma mulher republicana que tinha pertencido à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, uma mulher interessantíssima, muito avançada para a época” e de Maria José Estanco, “em Desenho”, mulheres que a influenciaram muito [Helena Neves].

Também no Liceu, tornou-se amiga e camarada inseparável de Cecília Simões [Areosa Feio] e de Maria Helena Alves Tavares Magro: “A Helena era quase como irmã, era a minha grande amiga, e acompanhou-me sempre. Ela foi para a clandestinidade primeiro que eu, mas estive a tomar a última refeição com ela. Sim, foi a minha melhor amiga cuja morte na clandestinidade eu senti muito” [Helena Neves].

Aos 17 anos entrou para a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, licenciou-se em Ciências Físico-Químicas em 1946 e exerceu a docência liceal durante três anos. 

Durante a Faculdade, integrou a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, cuja sede funcionava próximo da Faculdade de Ciências. Na AFPP “conheci mulheres fantásticas, combativas, inteligentes, a Maria Valentina Trigo de Sousa, a Maria Helena Pulido Valente, a Glafina Lemos, assistente da faculdade, a Maria Letícia, a Francine Benoit, que dirigia o orfeão da Associação, a Manuela Porto” [Helena Neves].

Aí, “Aprendi imenso. Tínhamos muita correspondência a nível internacional, recebíamos filmes das embaixadas que fazíamos passar nos cinemas, para arranjar fundos para o socorro dos refugiados da guerra, aos perseguidos pelo fascismo, no estrangeiro e entre nós. Enviámos mesmo algum socorro para o Tarrafal. Simultaneamente a esta atividade funcionavam cursos de alfabetização, cursos de primeiros socorros. Pela própria composição da Associação, pelas mulheres que a animavam, mas também pelas notícias que nos vinham dos países envolvidos no conflito, onde as mulheres ocupavam todos os postos de trabalho, começou a gerar-se a ideia de que os direitos da mulher estavam entrelaçados com a defesa da democracia, com a própria luta contra o fascismo”.

Em 1945, integrou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde colaborou ativamente com Maria Lamas.

“O Conselho estava organizado só aqui em Lisboa e a Maria, tal como muitas de nós, considerava que era necessário alargá-lo a todo o país. Como eu dava aulas mas tinha uma vida bastante disponível, fui destacada para ir ao Algarve e lá consegui organizar várias delegações do Conselho, em Faro, Olhão, Silves, Montachique. Depois fui o Porto… Enfim, enraizámo-nos de facto. Tínhamos delegações na Figueira da Foz, em Coimbra, no Porto, na Marinha, nas Caldas. Tínhamos várias atividades. Entre elas, os cursos de alfabetização. Recordo-me que em Olhão foi distribuída uma tarjeta pelas fábricas informando que no Conselho se ensinava a ler e a escrever e o largo onde eu morava e funcionava o Conselho, ficou pejado de mulheres, umas 200 ou 300, querendo vir às aulas. Foi um trabalho esgotante este, mas maravilhoso. Aprendi muito com a Maria e também ela aprendeu connosco – foi belo!” [Helena Neves].

Aderiu ao Partido Comunista em 1942.

Em 1949, quando se lhe deparava a possibilidade de uma carreira de investigadora científica, passou à clandestinidade. Trabalhou na redação do jornal Avante!, pertenceu ao Comité Local de Lisboa, em 1957, no V Congresso do Partido Comunista, foi eleita membro suplente do Comité Central e, entre 1957 e 1959, integrou a Direção da Organização Regional de Lisboa.  

Em 1958, destacou-se na candidatura presidencial de Arlindo Vicente.

Presa a 15 de Outubro de 1959, recusou-se a responder a qualquer pergunta e permaneceu detida 10 anos consecutivos: “Na prisão retiraram-me os melhores anos da minha vida. Entrei com 35 anos, saí com 45 anos” [Helena Neves].

Durante a prisão, “Estive com várias amigas durante muitos anos – a Sofia Ferreira, Ivone Dias Lourenço, Maria da Piedade, Aida Paulo, Matilde Bento, Maria Luísa Costa Dias e tantas outras. Passámos por várias situações. Houve salas com beliches (10 ou 12 pessoas) e outras menores. Dividíamos o dia em duas partes. De manhã levantávamo-nos e tínhamos de correr para tomar o banho quente (com o tempo contado e só uma por casa de banho). A inspeção e a contagem eram às 8H. Recebíamos um jornal diário – o Século – e líamos em coletivo. À volta da mesa fazíamos os nossos trabalhos. Fiz então as camisolas todas do meu filho, saias para a minha mãe, pegas para a cozinha, essas coisas… A Ivone fazia bonecas, caixas e outras coisas interessantes. Elas foram-me ensinando. A visita era às 10H, em geral de meia hora. Depois trocávamos as notícias… que não eram muitas pois a vigilância era muito grande. Almoçávamos. Repousávamos. E retomávamos o trabalho” [Helena Neves].

“Passavam pelas prisões pessoas analfabetas e outras com cursos. E umas ensinavam às outras. Tínhamos cursos de matemática, ciências, português, línguas e história. Depois tínhamos o recreio. Inicialmente davam-nos apenas 15 minutos, mas lutámos e chegámos a ter 1 hora. Uma hora num terraço por cima da cela, uma cela sem telhado.!...” [Helena Neves].

Só foi libertada em Dezembro de 1969: “O tempo tem uma contagem conforme se vive mais ou menos os acontecimentos. Ao fim de cinco anos de cadeia deixamos de ter a noção dos dias. O tempo deixa de contar. A sensação de sair liberta sozinha foi horrível. Eles tinham dito que eu saía e eu disse ao meu irmão para estar lá à minha espera. Anteciparam 24 horas e sai só, com duas malas grandes, num mundo que tinha mudado tanto. À porta da António Maria Cardoso foi horrível, não podia com as malas. Meti-me no elétrico até à Rua do Ouro. Aí, meti-me num táxi e disse ao homem para me levar a Alcântara, ao Largo do Calvário. Eram destruidores, malvados até ao fim. Quando saí tinha dificuldade em andar. Lembro-me de ir na rua com o meu filho e parecia-me ter um tapete rolante que me levava a cair. Fez-me muita impressão ver as pessoas juntas num elétrico, num autocarro. Sentia as pessoas com um ar muito triste. O primeiro filme que fui ver o “Romeu e Julieta”. Quando veio o intervalo e vi todas as pessoas juntas, fiquei agoniada e vomitei o jantar todo e tive de me vir embora”. [Helena Neves]

Libertada, voltou à militância, encontrando-se na Bélgica com o estatuto de refugiada política aquando do 25 de Abril de 1974.

Após a revolução, foi eleita pelo círculo de Lisboa para Assembleia Constituinte (1975-1976) e para a Assembleia da República, onde permaneceu até 1986.

Na Assembleia Constituinte, integrou a Comissão de Sistematização.

Na Assembleia da República, participou nas comissões de Negócios Estrangeiros e de Emigração. Segundo Teresa Fonseca refere no Dicionário no Feminino, “interveio frequentes vezes a favor dos trabalhadores portugueses emigrantes, reivindicando a promoção do ensino da língua portuguesa no estrangeiro, requerendo medidas de proteção aos emigrantes de visita a Portugal e pugnando pela aprovação de um projeto de lei sobre comissões consulares dos emigrantes, suscetíveis de contribuir para a solução dos múltiplos problemas com que estes se debatiam, nomeadamente no respeitante à obtenção e à renovação das cartas de trabalho. Emitiu pareceres sobre os relatórios de várias missões parlamentares ao estrangeiro, no âmbito dos trabalhos da União Parlamentar. Interveio em diversos debates sobre a paz, o desanuviamento militar e o desarmamento nuclear, denunciando os grandes interesses económicos envolvidos no fabrico de armas. Protestou contra a violação dos direitos do homem em diversos países, como a Nicarágua, El Salvador, a África do Sul e ainda em Timor Leste. Participou ativamente nos debates em torno dos orçamentos gerais do Estado”. 

Presidente da Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.

A par da sua militância, colaborou no Movimento Democrático de Mulheres e integrou a Comissão da Condição Feminina, sendo uma defensora intransigente, desde os tempos da juventude, dos direitos das crianças e das mulheres.

Em 1987, recebeu a Distinção de Honra do Movimento Democrático de Mulheres, tendo então Helena Neves escrito um importante texto sobre Alda Nogueira, transcrito pelo filho António Vilarigues no blogue O Castendo

Em 1988, foi condecorada com a Ordem da Liberdade.

A investigação também foi uma grande paixão de Alda Nogueira e sempre pensou que um dia voltaria a ela: “Pensei que era uma suspensão na minha carreira, apenas isso. E lia imensas obras da minha especialidade que pedia aos camaradas que me arranjassem. Entretanto, uni-me ao homem que amava, tive um filho. Mas sempre aguardando o momento em que eu retomaria a carreira. Senti sempre e sinto a nostalgia de não seguir a vida da investigação científica”.

Faleceu a 5 de Março de 1998, em Lisboa, a escassos dias de completar 75 anos de idade.

Publicou dois livros para crianças: Viagem numa gota de água (1977), escrito na prisão, em Caxias, em Dezembro de 1962, ilustrado por Miguel; e Viagem numa flor (1978), ilustrado por Ana Maria Cunhal.

terça-feira, 17 de março de 2015

[0945.] SEMINÁRIO PERMANENTE SOBRE A MULHER NA HISTÓRIA GLOBAL [I] || CHAM

* ESTUDOS DA MULHER E DE GÉNERO AO LONGO DA HISTÓRIA: HISTORIOGRAFIA, PROBLEMÁTICAS E METODOLOGIAS *

- 18 DE MARÇO DE 2015 || 18 HORAS || FCSH/NOVA -

ISABEL ALMEIDA
MARGARITA RODRÍGUEZ


Este Seminário Permanente tem por objectivo suscitar o interesse por temas relacionados com género e contribuir para a construção de uma história da mulher a partir da pesquisa desenvolvida por investigadoras/es nacionais e estrangeiros.

O enfoque deste seminário será colocado no conhecimento e na investigação que tem sido desenvolvida no campo interdisciplinar dos estudos relacionados com a mulher, particularmente, no que respeita às temáticas relacionadas com a história peninsular e dos Impérios português e espanhol ao longo do tempo. Para tal, recorreremos a diferentes áreas de especialização e metodologias.

http://www.cham.fcsh.unl.pt/ac_actividade_pri.aspx?ActId=96

[0944.] UNIVERSIDADE FEMINISTA // CCIF/UMAR

* PENSAMENTO DE FEMINISTAS QUE MARCAM OS TEMPOS - II *

- 20 DE MARÇO DE 2015 // 18 HORAS -

FRANÇOISE COLLIN
JUDITH BUTLER
SUSAN FALUDI
  

Universidade Feminista
CCIF/UMAR - Centro de Cultura e Intervenção Feminista
Rua da Cozinha Económica, Bloco D -Espaços 30M e 30N
1300-149 Lisboa - PORTUGAL

http://www.facebook.com/UniversidadeFeminista

[0943.] MULHERES NO PARLAMENTO EUROPEU [I]

* MULHERES NO PARLAMENTO EUROPEU *
- 19 DE MARÇO DE 2015 // 18 HORAS-
** ILDA FIGUEIREDO // MARIA BELO // MARGARIDA SALEMA **


[0942.] MARIA LAMAS // EXPOSIÇÃO EM TORRES NOVAS [I]

* MARIA LAMAS // DE CORPO E ALMA *
TORRES NOVAS // MUSEU MUNICIPAL CARLOS REIS
20 DE MARÇO DE 2015

Não é uma exposição biográfica, mas antes uma evocação de Maria Lamas, do seu espírito livre e da sua ligação às artes e às letras.

Nesta mostra estarão patentes obras de Júlio Pomar, Domingos Rebelo, Machado da Luz, entre outros artistas. 

As peças em exposição provêm, na sua maioria, de coleções particulares.

"De corpo e alma, Maria Lamas" estará patente ao público de 20 de março a 17 de maio de 2015, no Museu Municipal Carlos Reis de Torres Novas.

domingo, 15 de março de 2015

[0941.] FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA [I]

* FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA *
[1884/5-1968]

[Pormenor de uma fotografia de família, Abril de 1965]

Embora praticamente desconhecido, o nome de Fernanda Girão de Azuaga merece particular atenção por ter aderido aos ideais da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ainda antes da implantação da República, e da Associação de Propaganda Feminista e pela circunstância da filha, Antónia Girão de Azuaga Santos [1908-2002] ter militado, décadas depois, na Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Aliás, tanto a filha como o genro, o médico Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques  dos Santos, tiveram militância antifascista nas décadas de 30 a 50 na cidade do Porto.

Nasceu em 1884/5, neta de José Francisco Martins Viana e de Fernanda de Azuaga, sobrinha de Marciano do Carmo Martins Viana de Azuaga e de Joaquim de Azuaga (1853-1893) e filha de Clara de Azuaga.

Casou com Fernando Ezequiel de Moura Viana de Azuaga, funcionário da alfândega, sobretudo em Angola, segundo informações do neto Jorge Santos, tendo o casal tido cinco filhos: Antónia, Edite, Alfredo, João e Fernando.

Em 1909, quando se encontrava em Moçâmedes na companhia do marido, Fernanda Girão de Azuaga terá escrito uma carta de adesão à Liga Republicana das Mulheres Republicanas, agremiação recentemente constituída dirigida por Ana de Castro Osório, sendo referenciada de forma indireta na seção “Expediente da Liga” do Nº 1 da revista A Mulher e a Criança: “Mossamedes – Agradecemos a sua carta e esperemos que ponha em execução o art.º 13º dos nossos Estatutos” [“Expediente da Liga”, A Mulher e a Criança, Nº 1, Abril, 1909, p. 5]. 

Em Maio de 1916, também a partir de Moçâmedes, tornou-se acionista da Empresa de Propaganda Feminista e Defesa dos Direitos da Mulher, sociedade responsável pela edição do jornal A Semeadora (1915-1918), órgão da Associação de Propaganda Feminista dirigido por Ana de Castro Osório [“Empresa de propaganda feminista e defesa dos direitos da mulher”, A Semeadora, nº 12, 15/6/1916, p. 4, col. 3 e nº 21, 15/3/1917, p. 4, col. 4].

Segundo informações do neto, o marido era maçon, terá falecido em 1933 ou 1934 e foi enterrado com aquelas insígnias. Fernanda Girão de Azuaga faleceu em Fevereiro ou Março de 1968, com 83 anos de idade, na cidade do Porto. 

O pormenor da fotografia e alguns dados aqui referidos (outros se seguirão referentes a esta família) só foram possíveis devido à extrema amabilidade e disponibilidade do neto Jorge Santos, há 50 anos a viver em França, da neta e bisnetas. 

Para eles o meu sentido agradecimento, por permitirem dar um rosto e uma história a um nome nascido há 130 anos e que, em terras longínquas e numa época em que a intervenção feminina era rara e incorria riscos, integrou o feminismo e o sufragismo de cariz republicano. 

domingo, 8 de março de 2015

[0938.] ANITA VILAR [I]

* PANORAMA DE UMA HISTÓRIA LOCAL NO FEMININO *
- SETÚBAL // CENTRO DE ESTUDOS BOCAGEANOS // 2013 -



[Centro de Estudos  Bocageanos, 2013]

[0937.] MARIA MACHADO [VII]

* MARIA DOS SANTOS MACHADO *

[1890-1958]

[in Avante!, 26/02/2015]

[0936.] MARIA MACHADO [VI]

* MARIA DOS SANTOS MACHADO NASCEU HÁ 125 ANOS *
[25/02/1890-04/10/1958]

[Avante!, 26/02/2015]

Professora primária e militante do Partido Comunista desde a década de 30.

Filha de Bartolomeu Silveira Lucas e de Maria dos Santos Teixeira,  Maria dos Santos Machado nasceu na Vila da Calheta, S. Jorge, Açores, a 25 de Fevereiro de 1890 e faleceu na Amadora a 4 de Outubro de 1958.

Começou por lecionar nos Açores, onde procura pôr em prática métodos de ensino inovadores, baseados na Escola Activa e criou uma biblioteca para os alunos aberta à população. 

Em Lisboa, exerceu a profissão na Escola Primária Nº 97, apoiou a Seção Portuguesa do Socorro Vermelho Internacional, tornou-se esperantista e lecionou Português na Liga dos Esperantistas Ocidentais, atividade que esteve na origem da sua primeira prisão a 1 de Agosto de 1936, sendo libertada a 12 de Dezembro do mesmo ano. Também criou uma escola particular para os filhos dos ferroviários de Campolide, que seria encerrada pela polícia, e fundou uma biblioteca em Algés.

Responsável pela adesão ao Partido Comunista de Vítor Rafael Ferreira, empregado de escritório, que em 1937, numa conjuntura particularmente difícil, realizou a tarefa de correio entre vários dirigentes clandestinos procurados pela polícia. 

Em Maio de 1937 obteve autorização para uma breve deslocação aos Açores, efetuada sob apertada vigilância policial e, nesse mesmo ano, esteve envolvida na criação, em Coimbra, do “Núcleo Manuel dos Santos”, organismo de apoio local à Frente Popular Portuguesa, aonde se deslocou várias vezes em trabalho conspirativo. 

Em 1938 partiu para Paris, de onde regressou no início de 1942. 

Na capital francesa, exerceu funções junto do Comité de Frente Popular Portuguesa; assegurou ligação permanente com o Bloco Académico Antifascista (BAAF) que atuava em Portugal; colaborou com a Internacional Comunista e com membros do Partido Comunista Espanhol e do Partido Comunista Francês; manteve correspondência codificada com Fernando Piteira Santos [1918-1992], com Manuel dos Santos [03/02/1914-25/10/1947] – comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov”, preso na Penitenciária de Coimbra entre 4 de Março de 1936 e 6 de Agosto de 1942, onde cumpriu parte da pena de 22 anos a que fora condenado – e Jofre Amaral Nogueira, sendo por intermédio de Maria dos Santos Machado que este obteve a confirmação da autorização de Henri Lefebvre, em carta datada de 30 de Maio de 1938, para traduzir e publicar no periódico Sol Nascente a série de artigos “Que é a dialéctica?”, extraídos da Nouvelle Revue Française

Também em Paris, colaborou com Francisco de Paula Oliveira [1908-1992] que, após a sua fuga da prisão do Aljube a 23 de Maio de 1938, tomou conta, ainda que por escasso tempo, da direção da organização comunista portuguesa em França, e aí também conviveu com Manuel Domingues, outro quadro de relevo da direção do Partido e do Comintern, com vasta experiência internacional. 

Regressada a Portugal, travou contactos com Júlio de Melo Fogaça [1907-1980], envolveu-se com os partidários da reorganização do Partido Comunista e ingressou no trabalho das tipografias clandestinas até ser presa pela GNR a 4 de Novembro de 1945 em Barqueiros, Alvaiázere, após ser responsável durante quatro anos e três meses pela composição e impressão de 81 números consecutivos do jornal Avante!. 

A sua prisão, e a forma como permitiu a fuga dos dois outros camaradas – José Augusto da Silva Martins [1912-1956] e Máximo Joaquim Justino Alves –, de quem se fazia passar, respetivamente, por tia e mãe, tornou-se num dos episódios mais conhecidos e enaltecidos da defesa de tipografias clandestinas e da resistência comunista. 

Entregue à PIDE três dias depois, recusou-se a prestar declarações e recolheu incomunicável à Cadeia de Caxias, tendo a sua atitude de sacrifício em prol dos camaradas merecido uma saudação especial no encerramento do II Congresso Ilegal do PCP, realizado na Lousã em Julho de 1946. 

Libertada a 31 de Agosto de 1947, tornou a ser detida a 20 de Dezembro de 1953, para averiguações, sendo libertada a 9 de Janeiro do ano seguinte.

A última prisão, a quarta, ocorreu a 14 de Abril de 1954, tendo já 64 anos, e só saiu em liberdade a 6 de Outubro de 1956.

Proibida de exercer a profissão, empregou-se como governanta de uma casa particular e bordava tapetes de Arraiolos para sobreviver, continuando, clandestinamente, a dar aulas gratuitas a trabalhadores.

Por pressão da PIDE que descobriu onde vivia, foi despejada do quarto alugado, passando a refugiar-se em becos e azinhagas. Faleceu com 68 anos de ataque cardíaco fulminante em plena rua, na Amadora.

Assinou em 1935, no jornal Avante!, sob o pseudónimo “Rubina”, dois textos intitulados “Tribuna Feminina” dirigidos às mulheres portuguesas. 

Pela dedicação militante até à morte, com responsabilidades no aparelho técnico clandestino das casas do Partido Comunista, pela postura que assumiu quando presa e pelo despojamento com que viveu, Maria Machado tornou-se num dos símbolos femininos mais queridos e recorrentemente evocados, perdurando no tempo a atitude na tipografia de Alvaiázere. 

Alberto Vilaça, na sua minuciosa obra Para a história remota do PCP em Coimbra – 1921-1946, insere uma fotografia de Maria Machado “na época das suas ligações partidárias com Coimbra”, bem como cópia de uma carta a Jofre Amaral Nogueira [AV, pp. 164-165].

Segundo Teresa Fonseca, entre 1975 e 1991 existiu, no âmbito da Reforma Agrária, uma unidade coletiva de produção com o nome de Maria Machado, no lugar de Fazendas do Cortiço, freguesia de Nª Sª do Bispo, concelho de Montemor-o-Novo.

Rose Nery Nobre de Melo publicou dados da sua Biografia Prisional em Mulheres Portuguesas na Resistência [Lisboa, Seara Nova, 1975], acompanhada de outros dados, sendo aí referido que Maria Machado faleceu a 4 de Outubro de 1958.

Comissão do livro negro sobre o regime fascista, vol II, apresenta parte da sua Biografia Prisional.

O Dicionário dos Educadores Portugueses (2003), o Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX) (2005) e Feminae. Dicionário Contemporâneo (2013) inseriram biografias de Maria  Machado.

quinta-feira, 5 de março de 2015

[0934.] ESTUDOS SOBRE AS MULHERES E BIOGRAFIAS NO FEMININO [I]

* CONTRIBUTOS DE MARIA REYNOLDS DE SOUZA *

Um livro que constitui um roteiro da obra dispersa, mas una e coerente, de Maria Reynolds de Souza em torno das primeiras parlamentares e que merece ser lida nos textos originais, com um grafismo magnífico, apelativo e  cativante de Mafalda Matias.


 


Esta edição também é reveladora de quão importante foi a Comissão da Condição Feminina, a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres e a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género na implementação dos Estudos Sobre as Mulheres em Portugal e na construção, divulgação e implementação dos estudos biográficos de mulheres, durante muito tempo, demasiado tempo, ignorados nos meios académicos.

terça-feira, 3 de março de 2015

[0933.] GRUPO DE INVESTIGAÇÃO ESTUDOS SOBRE AS MULHERES // UNIVERSIDADE ABERTA

* Sessão 
MULHERES, SOCIEDADES E CULTURAS: CONHECIMENTO E DIVULGAÇÃO *
                                                                                                                    
  - 5 de Março de 2015 // 17.30h -
 Salão Nobre da Universidade Aberta       
                                                                                       
- Atividade editorial: Apresentação do livro 27 acrobacias sobre (quase) a mesma coisa
Paula Ortiz (ESDIME)/Joana Miranda (CEMRI/UAb)

- Recursos Educativos: Comentário sobre a obra Género e Recursos Educativos Digitais
Teresa Joaquim (CEMRI/UAb), Teresa Alvarez (CEMRI/CIG)), Teresa Pinto (CEMRI) 

- Mudança e Práticas Profissionais: Uma experiência de Educação ao Longo da Vida 
Teresa Joaquim (CEMRI/UAb), Teresa Pinto (CEMRI), Teresa Alvarez (CEMRI/CIG),    
Dalila Milheiro (CEMRI)

Moderação: Isabel Ventura (CEMRI)

Organização: Grupo de Investigação Estudos sobre as Mulheres. Género, Sociedade e Cultura

domingo, 1 de março de 2015

[0929.] JOAQUIM BORGES [I]

* JOAQUIM JOSÉ RESENDE PEREIRA BORGES *
[17/05/1905-01/05/2005]

[1969]

* DISTRITO DE BRAGA *
- CANDIDATO DA CEUD ÀS ELEIÇÕES DE 26 DE OUTUBRO DE 1969 -

[As eleições de Outubro de 1969, Publicações Europa-América, 1970]