[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

domingo, 15 de março de 2015

[0941.] FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA [I]

* FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA *
[1884/5-1968]

[Pormenor de uma fotografia de família, Abril de 1965]

Embora praticamente desconhecido, o nome de Fernanda Girão de Azuaga merece particular atenção por ter aderido aos ideais da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ainda antes da implantação da República, e da Associação de Propaganda Feminista e pela circunstância da filha, Antónia Girão de Azuaga Santos [1908-2002] ter militado, décadas depois, na Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Aliás, tanto a filha como o genro, o médico Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques  dos Santos, tiveram militância antifascista nas décadas de 30 a 50 na cidade do Porto.

Nasceu em 1884/5, neta de José Francisco Martins Viana e de Fernanda de Azuaga, sobrinha de Marciano do Carmo Martins Viana de Azuaga e de Joaquim de Azuaga (1853-1893) e filha de Clara de Azuaga.

Casou com Fernando Ezequiel de Moura Viana de Azuaga, funcionário da alfândega, sobretudo em Angola, segundo informações do neto Jorge Santos, tendo o casal tido cinco filhos: Antónia, Edite, Alfredo, João e Fernando.

Em 1909, quando se encontrava em Moçâmedes na companhia do marido, Fernanda Girão de Azuaga terá escrito uma carta de adesão à Liga Republicana das Mulheres Republicanas, agremiação recentemente constituída dirigida por Ana de Castro Osório, sendo referenciada de forma indireta na seção “Expediente da Liga” do Nº 1 da revista A Mulher e a Criança: “Mossamedes – Agradecemos a sua carta e esperemos que ponha em execução o art.º 13º dos nossos Estatutos” [“Expediente da Liga”, A Mulher e a Criança, Nº 1, Abril, 1909, p. 5]. 

Em Maio de 1916, também a partir de Moçâmedes, tornou-se acionista da Empresa de Propaganda Feminista e Defesa dos Direitos da Mulher, sociedade responsável pela edição do jornal A Semeadora (1915-1918), órgão da Associação de Propaganda Feminista dirigido por Ana de Castro Osório [“Empresa de propaganda feminista e defesa dos direitos da mulher”, A Semeadora, nº 12, 15/6/1916, p. 4, col. 3 e nº 21, 15/3/1917, p. 4, col. 4].

Segundo informações do neto, o marido era maçon, terá falecido em 1933 ou 1934 e foi enterrado com aquelas insígnias. Fernanda Girão de Azuaga faleceu em Fevereiro ou Março de 1968, com 83 anos de idade, na cidade do Porto. 

O pormenor da fotografia e alguns dados aqui referidos (outros se seguirão referentes a esta família) só foram possíveis devido à extrema amabilidade e disponibilidade do neto Jorge Santos, há 50 anos a viver em França, da neta e bisnetas. 

Para eles o meu sentido agradecimento, por permitirem dar um rosto e uma história a um nome nascido há 130 anos e que, em terras longínquas e numa época em que a intervenção feminina era rara e incorria riscos, integrou o feminismo e o sufragismo de cariz republicano. 

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