[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

terça-feira, 30 de setembro de 2014

[0764.] MARIETA DA SILVEIRA [I]

* MARIETA AMÉLIA DA SILVEIRA *
[1917-2004]

Professora catedrática jubilada. 

Nasceu nos Açores em 18 de Julho de 1917 e faleceu em Agosto de 2004, com 87 anos de idade. 

Investigadora, docente e cidadã empenhada, formou-se, em 1941, em Ciências Físico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Assistente de Química desde Fevereiro de 1942. 

Doutorou-se em 1946, com a tese Contribuição para o Estudo das Radiações de Urânio X Complexo.

Aprovada, em 1969, em concurso para professora extraordinária de Química. 

A par da sua notável carreira académica, manteve atividade política contra a ditadura.

Assinou, em 1945, as listas do Movimento de Unidade Democrática (MUD).

Protestou, em 1947, contra a demissão de 21 professores universitários. 

Colaborou com a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (CNSPP). 

Pela sua postura antifascista, foi-lhe cancelada uma bolsa de estudo do Instituto de Alta Cultura; não foi contratada aquando da criação do Centro de Estudos de Energia Nuclear; e, em Outubro de 1973, foi impedida de ocupar uma vaga de professor catedrático. 

Após a revolução de 1974, militou no Partido Comunista, sendo candidata a deputada para a Assembleia Constituinte pelo distrito de Lisboa. 

Autora de trabalhos de investigação e de divulgação científica, teve, segundo Maria Helena Florêncio e Manuela Brotas de Carvalho, "um papel muito activo na vida universitária e marcou dezenas de gerações de jovens, alunos de diversas licenciaturas", sendo "a melhor e a mais doce professora que tiveram durante a sua formação” [2004].

Feminae – Dicionário Contemporâneo, editado pela CIG em 2013, inclui uma entrada sobre Marieta Amélia da Silveira.

[João Esteves]

domingo, 28 de setembro de 2014

[0763.] MARIA DA GRAÇA FORJAZ DE SAMPAIO [I]

* MARIA DA GRAÇA MACHADO DE MACEDO FORJAZ DE SAMPAIO *

[1919-1999]

Tradutora.

Nasceu em Ponta Delgada a 1 de Fevereiro de 1919 e faleceu a 23 de Novembro de 1999.

Participou na vigília da Capela do Rato. 

Integrou a Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática. 

Candidata suplente da Oposição Democrática por Ponta Delgada [1973]. 

Participou, em 1973, na Assembleia Mundial da Paz realizada em Moscovo. 

Acolheu, em 1973 e 1974, “activistas em fuga envolvidos em ações de sabotagem contra o regime” e foi “cooperante na Guiné-Bissau entre 1978 e 1980” [Mário Matos e Lemos, Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973)]. 

Usou da palavra durante as comemorações em Sintra do 1.º de Maio de 1974.

Membro do Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Pertenceu à Comissão Democrática Eleitoral (CDE) e ao Partido Comunista, tendo sido candidata pelo círculo de Lisboa nas eleições para a Assembleia Constituinte [1975].

Traduziu Lutar por Moçambique, de Eduardo Mondlane, editada pela Penguin Books em 1969; e A Libertação da Mulher, de Rosiska Darcy de Oliveira.

Feminae – Dicionário Contemporâneo, editado pela CIG em 2013, inclui uma entrada sobre Maria da Graça Machado de Macedo Forjaz de Sampaio.

[João Esteves]

sábado, 27 de setembro de 2014

[0762.] TARRAFAL [II]

[23/12/1900-16/05/1952]
[Fotografia publicada por Lúcia Serralheiro no seu livro Mulheres em Grupo Contra a Corrente, Evolua Edições, 2011, p. 133]


[Fotografia de Luís Alves de Carvalho, marido de Herculana de Carvalho e pai de Guilherme da Costa Carvalho]

* Guilherme da Costa de Carvalho é, na fila do meio,  o segundo a contar da esquerda *

[0761.] TARRAFAL [I]

 - TESTEMUNHOS -
Edição de Fevereiro de 1978 aquando da trasladação dos corpos dos presos políticos portugueses mortos no Campo de Concentração do Tarrafal




[0760.] JORNADAS INTERNACIONAIS - FALAR DE MULHERES 10 ANOS DEPOIS [IX]



[0759.] JORNADAS INTERNACIONAIS - FALAR DE MULHERES 10 ANOS DEPOIS [VIII]




[0758.] II CONGRESSO I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO [V]

- 3 DE OUTUBRO DE 2014 -

BIBLIOTECA NACIONAL / 18H30

Manifestos, Estatutos e Programas Republicanos Portugueses [1873-1926] *

O pensamento pedagógico republicano *

[0757.] II CONGRESSO I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO [IV]

- 1 DE OUTUBRO DE 2014 -

BIBLIOTECA NACIONAL / 18H30

ANTE-ESTREIA DO DOCUMENTÁRIO SOBRE BARROS QUEIROZ *

integrada na abertura do II Congresso República e Republicanismo, organizado pelo Centro de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Évora, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

[0753.] ALZIRA VIEIRA [I]

- ALZIRA AUGUSTA DE LOURDES PINTO VIEIRA -

[08/06/1879-01/01/1970]


Professora primária oficial e escritora.

Filha de Maria Augusta da Encarnação Vieira e de Tiago Pinto Vieira, professor primário em Viseu, nasceu em Vilar de Besteiros, Tondela, a 8 de Junho de 1879, e faleceu em Boaldeia, Viseu, a 1 de Janeiro de 1970. 

Exerceu a docência na sua terra natal e aderiu, nas primeiras décadas do século XX, às organizações feministas. 

Republicana assumida, colaborou com iniciativas da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas; foi activista da Associação de Propaganda Feminista, assinando no jornal A Semeadora artigos de opinião, escritos biográficos de figuras históricas femininas e, em forma de folhetim, o texto “O Poeta e o Soldado”; e aderiu à Cruzada das Mulheres Portuguesas, exercendo o cargo de Vice-Presidente da Subcomissão de Tondela. 

Durante a I Guerra, recolheu uma órfã de 16 anos e foi a autora do folheto patriótico A missão da mulher na hora presente editado, em 1917, em Viseu. 

Posteriormente, militou no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e engrossou, enquanto mulher e educadora, a campanha promovida contra o espectáculo das touradas, por contribuir para a degradação dos povos e ser impróprio dos países civilizados. 

Em Agosto de 1925, secretariou a 3.ª Sessão do Congresso Pedagógico de Braga, organizado pela União do Professorado Primário Oficial de Ensino Geral e Infantil. 

Colaborou em vários periódicos e usou, por vezes, o pseudónimo Zila. 

Nos anos 30, foi delegada da revista Portugal Feminino na localidade onde residia, a qual publicou a sua fotografia a acompanhar poesias e um texto sobre Viseu. 

O ex-libris, da autoria de Clotilde Mateus, constava de uma concha – uma ‘vieira’ – onde estava inscrita a palavra Alzira. Seguravam-na duas crianças, uma de cada lado, e por baixo “Deixai vir a mim as criancinhas”. 

Sobre o percurso enquanto professora no distrito de Viseu durante cerca de quatro décadas, consultar a entrada escrita por Alice C. Silva Batista para o Dicionário de Educadores Portugueses dirigido por António Nóvoa (2003).

[João Esteves]

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

[0752.] CONSTÂNCIA LIMA DUARTE [I]

- CENTRO DE CULTURA E INTERVENÇÃO FEMINISTA -
23 DE SETEMBRO DE 2014 / 18H00


A temática a abordar será a violência (d)e género na literatura brasileira, com enfoque na literatura afro-brasileira e na obra da escritora Conceição Evaristo.

Conceição Evaristo, afro-brasileira, nascida em 1940 numa favela de Belo Horizonte, é actualmente uma activista, académica e escritora com obras traduzidas em vários idiomas, embora ainda seja pouco conhecida pelo grande público. Os seus livros, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de género e de classe. 

[0751.] JOSÉ GOMES DOS SANTOS [VI]

JOSÉ GOMES DOS SANTOS POR TÓPI (António Pimentel) / 1955
[1899-1991]

[0750.] MULHERES CONTRA A DITADURA / CECÍLIA HONÓRIO [II]

MULHERES CONTRA A DITADURA -

DE CECÍLIA HONÓRIO

23 DE SETEMBRO DE 2014 / 18h30



[0749.] JERÓNIMA ROSA DANTAS MACHADO RIBEIRO [I]

POR ANTÓNIO VALDEMAR -

v. BLOGUE BERNARDINO MACHADO DO DR. MANUEL SÁ MARQUES -

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

[0741.] MULHERES CONTRA A DITADURA / CECÍLIA HONÓRIO [I]

- MULHERES CONTRA A DITADURA -
DE CECÍLIA HONÓRIO
23 de SETEMBRO DE 2014 / 18h30

Sinopse

A primeira "elite" de mulheres que lutou contra a ditadura no pós-guerra nasceu no Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJ, 1946-1957). 

Filhas de juízes, de conservadores, de médicos, advogados, militares, ou de empresários, filhas de oposicionistas, republicanos sobretudo, elas foram jovens escolarizadas à procura de respostas políticas novas, diferentes das de seus pais. Burguesas, muitas universitárias, que arrastaram operárias e trabalhadoras rurais para o MUDJ, com a sua capacidade de liderança e de organização.

Este trabalho destina-se a dar visibilidade às raparigas do MUDJ, que arriscaram, estiveram presas, leram livros proibidos, recrutaram, discursaram, militaram nas campanhas, discutiram animadamente nos cafés, e desafiaram até a moral e os bons costumes do tempo, com a sociabilidade mista, que juntava raparigas e rapazes nos passeios no campo, nos piqueniques, ou cantando Lopes Graça. 

Vai à procura das que começaram a sua vida política no MUDJ e das muitas que passaram da luz à sombra, mesmo quando não desistiram de lutar contra a ditadura.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

[0740.] 5 DE OUTUBRO NO FEMININO / VISEU [III]

- POR VISEU / 13 DE SETEMBRO DE 2014 -
TEATRO MIRITA CASIMIRO
- 5 DE OUTUBRO NO FEMININO -



[0739.] CARLOS DE LEMOS [I]

- CARLOS DE LEMOS E BEATRIZ PINHEIRO -


 [1867-1954]


[0738.] BEATRIZ PINHEIRO [II]

- BEATRIZ DA CONCEIÇÃO PAES PINHEIRO [DE LEMOS] -
[1871-14/10/1922]

Escritora, professora, publicista, pacifista, republicana e defensora dos direitos das mulheres ainda no final do século XIX.

Beatriz Pinheiro é um nome a reter, não só porque pertenceu à geração das republicanas e feministas portuguesas mais relevantes do princípio do século XX, como pela intervenção na sua terra e que se estendeu muito para além da direção da revista Ave Azul [1899-1900]. 

Segundo Humberto Liz, citando o dr. Maximiano Aragão [1853-1929], amigo e correlegionário do marido, era filha de Joaquim António Pinheiro, empregado dos correios, e de Antónia da Conceição Paes de Figueiredo, de Mosteiro de Silgueiros, Beatriz da Conceição Paes Pinheiro nasceu em Viseu em 1871 [e não em 1872 como aparece referenciado em vários sítios, obras e estudos]. 

Fez a estreia literária na revista académica A Mocidade, quando ainda era aluna do liceu. 

Com o marido, Carlos de Lemos [1867-1954], poeta e professor do Liceu de Viseu que, em 1909, foi Presidente da Comissão Municipal Republicana, sendo então perseguido pelo seu posicionamento político, dirigiu a revista literária Ave Azul [1899-1900]. 

Aí assinou textos dedicados à emancipação feminina e, considerando que o feminismo pretendia “pôr a mulher em condições de viver dignamente na sociedade, por meio do seu trabalho, sem precisar dum homem que a mantenha” [15/11/1899, p. 500], incitou as mulheres à luta, para “que reivindiquem os seus direitos, que façam por conquistar a igualdade civil e política, que sejam nos bancos das Escolas as dignas rivais dos mais inteligentes e dos mais estudiosos” [15/08/1899, p. 324]. 

Nos seus escritos, revelou-se defensora da independência económica das mulheres e considerava que ela só era possível de alcançar com uma educação diferente para o sexo feminino.

Colaborou nos periódicos:
  • A BeiraNova Aurora [1900-1901];
  • Almanaque das Senhoras [1901, 1916, 1924];
  • A Crónica [1900-1906];
  • Alma Feminina ]1907-1908]; 
  • O Garcia de Resende [1908-1909]. 

Tornou-se, em 1899, correspondente local da Liga Portuguesa da Paz, a convite de Alice Pestana que a dirigia. Tornou-se, assim, uma das primeiras correspondentes locais daquela agremiação pacifista, onde se destacavam aquela pedagoga e Magalhães Lima.

Propagandista republicana aderiu à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas quando esta agremiação surgiu no final da primeira década do século XX orientada pela amiga Ana de Castro Osório.

Empenhou-se na campanha a favor da aprovação da lei do divórcio e reivindicou o ensino e a enfermagem laicas, servindo-se da imprensa para difundir o seu ideal. 

Diplomada em Ciências e Letras, terá começado a leccionar em 1900. Poucos anos volvidos sobre a implantação da República passou a residir em Lisboa, onde era professora provisória do Liceu Maria Pia e leccionava Francês, Geografia e História. 

Em 1913, foi escolhida, juntamente com Ana Augusta de Castilho, Ana de Castro Osório, Luthgarda de Caires, Joana de Almeida Nogueira e Maria Veleda, para fazer parte da comissão que deveria representar as feministas portuguesas no sétimo Congresso da International Women Suffrage Alliance, a realizar em Budapeste. 

Em 8 de Junho de 1916, proferiu no Liceu Maria Pia a conferência “A Mulher Portuguesa e a Guerra Europeia”, editada pela Associação de Propaganda Feminista. 
Segundo Henrique Perdigão, “deve-se-lhe a criação da Escola Liberal João de Deus, para raparigas pobres, fundada como protesto à educação congreganista por ocasião do célebre ‘caso Calmon’”, inaugurada a 10 de Novembro de 1901. Beatriz Pinheiro presidiu à sessão inaugural e discursou, juntamente com José Augusto Pereira, Carlos de Lemos, Maximiano Aragão e Ricardo (Paes) Gomes, tendo O Distrito de Viseu de 12 de Novembro de 1901 disso dado conta.

Como refere o Almanaque Republicano, blogue de Artur B. Mendonça e José M. Martins, pertenceu ao Instituto Liberal de Instrução e Recreio, fundado em 1904 e que, no ano seguinte, estaria na origem do Centro Republicano de Viseu, inaugurado a 30 de Janeiro por Bernardino Machado. 

Beatriz Pinheiro faleceu em Lisboa a 14 de Outubro de 1922.

Foi, juntamente com Carlos de Lemos, uma importantíssima propagandista republicana em Viseu antes da implantação do novo regime em Outubro de 1910.

A História da República, editada aquando do quinquagésimo aniversário da revolução republicana, inseriu a sua fotografia no grupo das mulheres republicanas.

[João Esteves]