[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

[0420.] FRANCINE BENOÎT [I] || SOFIA DE SOUSA VIEIRA [I]

* FRANCINE BENOÎT || SOFIA DE SOUSA VIEIRA *

Um belíssimo, oportuno, completo e reflexivo estudo sobre Francine Benoît, 95 anos de vida vivida, numa edição cuidada e apelativa. 549 páginas que prendem o leitor.

O meu muito obrigado à autora, doutorada em Musicologia pela Universidade de Salamanca, pela enorme gentileza de me fazer chegar esta recentíssima edição.




domingo, 3 de fevereiro de 2013

[0416.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XVI] || 03/02/1916

* 03 DE FEVEREIRO DE 1916 *  


Realiza-se a assembleia ordinária do CNMP, presidida por Claudina de Almeida e secretariada por Maria Brasão e Albertina Rua de Gamboa:
«Conselho Nacional das Mulheres Portugueses
Reuniu-se, sob a presidência da sr.ª D. Claudina de Almeida, secretariada pelas sr.as D. Maria Brasão e D. Albertina Rua de Gamboa, a assembleia ordinária deste conselho. // A presidente tem palavras de tristeza pelo recente acontecimento que acaba de enlutar a sr.ª dr.ª D. Adelaide Cabete, e propõe que seja lançado na acta um voto de sentimento. Foi aprovado por unanimidade. // Em seguida foram abertos os trabalhos, lendo a secretária da mesa a acta da sessão última e o expediente. Entre este destacava-se uma carta amabilíssima da sr.ª D. Adelaide Cabete, agradecendo a parte sentida que o Conselho tomara na sua dor, bem como todas as homenagens prestadas pela associação, no funeral de seu chorado esposo. // A secretária geral, Maria Clara Correia Alves, pede a palavra, associando-se ao modo de sentir da presidente da mesa. Referindo-se à carta acima citada, diz que tudo que o Conselho fez, representou muito simplesmente o cumprimento dum dever, por isso que o sr. Fernandes Cabete fora não só o marido extremoso da presidente querida do Conselho, mas, ainda e durante a vida inteira, o mais estrénuo defensor da causa da emancipação da mulher e um apóstolo fervoroso da instrução. // Entrando-se na ordem da noite, a secretária geral faz umas ligeiras  considerações sobre o feminismo internacional, referindo-se, especialmente, às recentes conquistas que as mulheres dos Estados Unidos têm obtido em favor do sufragismo, e lê o relatório  trimestral da Comissão Executiva do Conselho, que era bastante extenso. // Sobre este, versou uma larga discussão, por  vezes acalorada, mas sempre correcta e interessante. // Por proposta da secretária geral foi lançado na acta um voto de congratulação pelo 51.º aniversário do Diário de Notícias, jornal a que o Conselho deve as mais carinhosas atenções; e para que fosse comunicada ao seu redactor principal essa resolução. // Em seguida foram lidas as contas. Não havendo mais assuntos a tratar, encerraram-se os trabalhos eram 22 horas e meia.»
[Boletim Oficial do CNMP, n.º 5, Fevereiro de 1916, pp. 59-60]

[0415.] Representações da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[03/02/1911] 
- Comissão de Propaganda Feminista -

Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo e Maria Laura Monteiro Torres, em nome da Comissão de Propaganda Feminista da LRMP, entregam uma representação a Teófilo Braga, Presidente do Governo Provisório, onde se reclama o direito de voto para a mulher economicamente independente. É assinada por toda a comissão de propaganda feminista e sufragista [Adelaide da Cunha Barradas, ] e Teófilo Braga «comprometeu-se a apresentá-la na primeira reunião de ministros, pois que as reivindicações que nela se fazem são de justiça e estão em harmonia com as suas ideias» [“Propaganda feminista e sufragista”, O Mundo, 4/2/1911, p. 2, col. 4]:
«Reclamações
A Comissão de propaganda feminista da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» foi no dia 3 recebida pelo sr. Dr. Teófilo Braga, digno presidente do Governo Provisório, apresentando-lhe a representação que a seguir publicamos. // O ilustre homem de ciência, depois de ouvir ler a representação, cumprimentou as senhoras presentes pelo trabalho apresentado, dizendo-lhes que de todo o seu coração advogaria uma causa tão justa e que tão claramente corresponde à evolução da sociedade moderna. O sr. Dr. Teófilo Braga disse, numa verdadeira e interessante conferência sobre o feminismo, palavras de tanta lucidez e tanta verdade, que bom seria fossem escutadas por aqueles que sem ciência nem consciência falam levianamente de coisas que nem sabem explicar e muito menos compreender.

Representação

Ao Ex.mo Sr. Dr. Teófilo Braga e mais membros do Governo Provisório da República // Cidadãos: // A «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas», tendo muitos e variados assuntos a tratar dentro do seu vasto plano de orientação e auxílio moral da mulher, delegou, na comissão que assina a presente, o especial encargo da propaganda feminista e do estudo e reclamações a fazer sobre as leis existentes e as que o Governo venha a promulgar sob o ponto de vista de interesse feminino.  // Cumprindo pois o mandato que nos foi concedido, nós vimos ainda uma vez mais reclamar para o nosso sexo o sufrágio nas condições modestíssimas em que julgamos de nosso dever fazê-lo, para não pôr o Governo Provisório na contingência desagradável de recusar o que constitui uma das mais nobres afirmações do Partido Republicano – a igualdade de direitos da mulher. // Nós desejamos que a República nascente, para a qual trabalhámos com o entusiasmo da nossa propaganda, e que já tem legislado tão larga e nobremente, não cometa o erro imperdoável que a grande revolução francesa cometeu, negando à mulher todos os direitos políticos, tendo-se aliás servido dela para a sua propaganda na oposição. // Nós não vimos reclamar, porque isso seria pedir por agora um impossível social, o sufrágio universal, como  à luz da razão e da ciência seria justo, mas vimos reclamar o que temos feito desde o princípio: o direito de voto para as mulheres que pela sua posição especial devem poder exercê-lo; isto é – as que contribuam para a colectividade com o dinheiro das suas contribuições directas, as que exerçam uma profissão científica ou literária, as que sendo independentes moral e economicamente não podem, por uma imposição do preconceito e da rotina, continuar na República a viver no regimen vexante dos tutelados, fora da sociedade como os cretinos. // O voto como o pedimos é apenas o estabelecimento dum princípio de justiça, o qual, honrando o Governo da República, auxiliará a nossa propaganda, pois que a mulher tratará de trabalhar e se elevar para obter o direito que hoje apenas a uma minoria pequena aproveitará. // Vimos também reclamar para as mulheres o direito de serem votadas e nomeadas para todas as comissões pedagógicas de higiene e assistência, como para as juntas paroquiais e municipais, onde por certo farão bons serviços, por isso que a mulher é, talvez mais do que o homem, amante do seu torrão, agarrada à sua pequenina pátria – quer dizer à sua localidade – que desejará ver aumentada e melhorada. Assim, aproveitando a tendência regionalista da mulher, a República poderá encontrar no seu trabalho um bom auxílio para a renovação pátria. // A terra portuguesa, tão baixo caída pela criminosa incúria da monarquia, necessita para se erguer à altura que lhe compete do concurso de todos os cidadãos, e a mulher é um factor que não pode nem deve desprezar neste momento único de renovação social. Por isso, cidadãos, nós vimos requerer parta a mulher o direito de trabalhar pelo ressurgimento duma Pátria que também julga pertencer-lhe. // Em todos os países civilizados a mulher é hoje ouvida e chamada, especialmente nas questões pedagógicas, desempenhando cargos nos altos conselhos da instrução. Em Portugal, onde há mulheres da competência de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, as reformas do ensino serão feitas sem que se chame a dar a sua opinião esta senhora, ou qualquer outra que do assunto tenha largo conhecimento? // Terminando por agora, não podemos deixar de vir reclamar contra o limite de idade, que é sempre vexante e injusto, e para a mulher muito mais ainda porque no nosso país onde a sua educação é tão descurada, só tarde ela pensa em adquirir uma posição que a torne independente, e que a incúria das famílias lhe não deu em moça. // Assim, nós pedimos que seja abolido o limite de idade para a admissão nas Escolas Normais, nas Juntas do Crédito Público e outras, como já conseguimos que fosse abolido para as estudantes de enfermagem, por pedido directamente feito pelas signatárias D.ra Carolina Beatriz Ângelo e Ana de Castro Osório ao actual enfermeiro-môr do hospital de S. José, o sr. Dr. Augusto de Vasconcelos. // Finalizando, não podemos deixar de cumprimentar o sr. Ministro do Interior pelo seu decreto que garante às professoras dois meses de descanso, com vencimento, no último período de gravidez e no primeiro depois do parto. // É uma medida de salvação pública que desejaríamos ver estender-se com força de lei a todos os empregos exercidos pelas mulheres, principalmente nos trabalhos violentos da indústria, sendo os patrões obrigados ao mesmo que o Governo se obriga hoje para as professoras, e amanhã fará a todas as suas empregadas. // A maternidade é a dolorosa e difícil contribuição de sangue que a mulher paga à sociedade; portanto é justo que a República, que olha carinhosamente pelos seus soldados, não despreze as mães, que mais ainda necessitam de protecção e amparo. // Não podemos terminar sem muito especialmente saudar, na nova legislação portuguesa, em que a mulher começa a ser considerada um indivíduo consciente e autónomo, a obra grandiosa do sr. Dr. Afonso Costa. // Saúde e fraternidade // Lisboa, 3 de Fevereiro de 1911
(a.a.) D.ra  Carolina Beatriz Ângelo
         Joana de Almeida Nogueira
         Virgínia da Fonseca

         Rita Dantas Machado

         Laura Monteiro Torres
         Adelaide da Cunha Barradas
         Constança Dias
         Ana de Castro Osório.»
[O Radical, 12/2/1911]

- A mesma Comissão assina uma outra mensagem dirigida ao ministro das Finanças, José Relvas, elogiando-o por ter proporcionado a admissão de mulheres em empregos do Estado. 
[“Expediente da Liga - Comissão de propaganda feminista - Representação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas entregue ao Ministro das Finanças, sr. José Relvas”, A Mulher e a Criança, n.º 22, Março de 1911, p. 9, col. 2 e p. 10, col. 1].

[0414.] FERREIRA MANSO / MARIA VELEDA

[03.02.1910]
- Liga Republicana das Mulheres Portuguesas -

A LRMP e a sua Comissão de Propaganda encabeçam o cortejo fúnebre do republicano e maçónico Ferreira Manso. Maria Veleda discursa no cemitério:

«A derradeira Homenagem - É sepultado Ferreira Manso - [...] - No cemitério - Falam a sr.ª D. Maria Veleda e o dr. Magalhães Lima
[...] // À beira da sepultura usou em primeiro lugar da palavra a sr.ª D. Maria Veleda, que em frase sentida pôs em relevo as qualidades morais e de carácter de Ferreira Manso, que, ainda quando o ano passado, um pasquim jesuítico a agrediu infamemente, saiu à estacada em sua defesa, ele que mal a conhecia. É digno de gratidão e de registo este acto do morto, como de resto o são todos os da sua vida de luta, de abnegação e sacrifício. Despede-se dele fazendo votos por que o seu exemplo seja seguido, e a sua vaga o menos sentida possível.»
[O Mundo, 4/2/1910, p. 3, col. 4]

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

[0412.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [XVIII] || 01/02/1913

* 01 DE FEVEREIRO DE 1913 *

|| Liga Republicana das Mulheres Portuguesas + Associação de Propaganda Feminista ||



Muitas sócias da LRMP e da APF acorrem a esperar Ana de Castro Osório, que regressa de S. Paulo para uma curta visita ao país.

[0411.] Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[01.02.1911]
- LRMP / Estatutos -

Reunião da direcção da LRMP, decidindo-se pedir a convocação da assembleia geral para deliberar se o art.º 11.º dos antigos Estatutos deve, ou não, ser excluído do novo regulamento.

[0410.] Liga dos Direitos do Homem

[01.02.1907]
- Secção Feminista -

Fernão Botto Machado propõe a criação duma secção feminista no âmbito da Liga dos Direitos do Homem.