[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sábado, 9 de abril de 2011

[0376.] As Mulheres e a I República

Museu Bernardino Machado / Vila Nova de Famalicão / Conferências 
As Mulheres e a I República / Carolina Beatriz Ângelo

Conferência da Doutora Antonieta Garcia [08.04.2011]

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[0375.] Joaquina Dantas Machado

Joaquina Dantas Machado

Mais informações do Dr. Manuel Sá Marques através do seu Blog Bernardino Machado

[0374.] MARIA LÚCIA DE BRITO MOURA [V]

* Lei da Separação - 100 Anos / Conferência *
MARIA LÚCIA DE BRITO MOURA

[19.04.2011]

quinta-feira, 7 de abril de 2011

[0373.] Prisões Salazaristas

As Prisões do Estado Novo / Conferências
- BMRR -
[09 e 16.04.2011]

[0372.] Centenário da República

100 Anos de República em Proença-a-Nova

[07.04.2011]

[0371.] As Mulheres e a I República

Carolina Beatriz Ângelo
Doutora Antonieta Garcia no Museu Bernardino Machado
- Vila Nova de Famalicão -

[08.04.2011]

[0370.] Memórias de Maria Veleda


Leiria / Maria Veleda / 06.04.2011

Numa sessão emotiva e gratificante, numerosa assistência, sentada e em pé, encheu a belíssima Fundação da Caixa de Crédito de Leiria para assistir ao lançamento das Memórias de Maria Veleda, transcritas por Maria José Guerreiro da Franca e Silva Miranda, sua bisneta, e anotadas e estudadas por Natividade Monteiro.

Ao abrir, um Fado (... saudade e esperança nascem no mesmo dia ...), com letra de Maria Veleda e música de Eulália Amado, ambas militantes da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, interpretado de forma arrepiante.

Republicana, feminista, democrata, cidadã empenhada, Maria Veleda, nascida em 1871 e falecida a 8 de Abril de 1954, procurou sempre servir a República, antes, durante e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910. Não se serviu da República!

"Mulher de princípios, fiel à divisa “Eu morro onde me prendo”, Maria Veleda pôde sempre afirmar que “a República não me concedeu favores nem a mim nem aos meus – e disso me orgulho”. Por isso, estas Memórias, pela primeira vez editadas e contextualizadas, não podiam surgir em melhor altura, associando-se assim o percurso de uma protagonista, testemunha privilegiada da época, à celebração do I Centenário da República."

Edição Imagens & Letras, 2011, 167 pp.

[0369.] Guerra Junqueiro

Até quando?
 - Guerra Junqueiro -

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...”
[Guerra Junqueiro, Pátria, 1896]

Nenhum ministro, governante, presidente, deputado, banqueiro, amigo, amiguinho, cúmplice é responsabilizado pelo estado a que isto chegou? 

Será que não se consegue apanhar um único responsável do descalabro?

Foram muitos, quase sempre os mesmos, a tomar as decisões que conduziram o país à actual situação! E é tão fácil identificá-los.

Onde pára o dinheiro sugado durante tantos e tantos anos?

Arrecadaram e arrecadam milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares de euros, deixando o país bater, alegremente, no fundo e, depois, a culpa é sempre dos outros. 

E não há responsáveis? Nem um? Só um?

Será possível continuar a suportar os desvarios políticos e governativos desta gente mesquinha, incompetente, corrupta, gananciosa e mentirosa?

E onde pára a ética republicana, evocada por tantos? 

terça-feira, 5 de abril de 2011

[0368.] MEMÓRIAS DE MARIA VELEDA

* MARIA VELEDA *
- Memórias na BMRR / 05 de Abril de 2011 -


Um sentido obrigado à Natividade Monteiro e a Maria José Guerreiro da Franca, bisneta de Maria Veleda, pela excelente edição das Memórias de Maria Veleda e pela comovente e familiar sessão realizada hoje na Biblioteca Museu República e Resistência, que contou também com a presença das netas Maria Leonor e Maria Ester, contribuindo, assim, para perpetuar a memória desta invulgar republicana.

* MARIA VELEDA *

Contemporânea de Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Angelina Vidal, Carolina Beatriz Ângelo e Beatriz Pinheiro de Lemos, Maria Veleda interveio activamente no processo de transição da Monarquia para a República, notabilizando-se nos acontecimentos sociais, políticos e educativos. E embora não seja tão conhecida como aquelas companheiras, não deixando obra publicada para além de alguns contos e uma colectânea de discursos, datada de 1909, manteve regular colaboração na imprensa e editou, no jornal República, em 1950, as suas Memórias, quando já tinha quase 80 anos.


Estas, constituem um dos raros documentos de uma protagonista feminina desse período e são elucidativas dos obstáculos que as mulheres tinham de enfrentar quando procuravam a sua independência, mesmo na área do ensino, tradicionalmente considerada mais acessível. Reflectem ainda a esperança e o desencanto que o regime republicano transportou consigo.

Nascida em Faro, em 1871, só na viragem do século é que começou a ganhar notoriedade: começou por exercer a profissão de professora no Algarve, Alentejo e, finalmente, em Lisboa; ambicionou ser escritora e acabou a lutar pela implantação da República; promoveu a emancipação feminina; liderou o movimento reivindicativo dos docentes do ensino livre; e foi pioneira das campanhas de protecção às crianças de rua.

É com a partida para Lisboa, em 1905, que começou a desvincular-se da produção literária e a sua vida mudou de rumo, ao empregar-se como professora regente no Centro Escolar Republicano Afonso Costa. De dia, ensina as crianças e, à noite, convivia com os principais dirigentes republicanos que frequentavam a casa, iniciando aí a sua formação política.

Começou por assistir a conferências e sessões de propaganda e, cedo, passou a oradora e a redigir artigos de opinião sobre questões feministas e educativas, onde defendeu a emancipação política e económica da mulher e combateu a educação congreganista.

Ainda durante a Monarquia, procurou implementar, juntamente com Ana de Castro Osório, Escolas Maternais, e esteve na origem da criação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Foi no âmbito desta organização que promoveu a criação, em 1909, da Obra Maternal, organismo que visava proteger e educar as crianças de rua sem família, abandonadas ou vítimas de maus tratos. Dependia das contribuições dos respectivos subscritores e conseguiu recolher apenas nove crianças. Aliás, esta dedicação às crianças contribuiu para a sua nomeação para Delegada da Tutoria Central de Infância de Lisboa, onde exerceu funções entre 1912 e 1941.

Maria Veleda preocupou-se igualmente com a situação do sexo feminino, tendo criado, em 1911, o Grupo das Treze, como forma de combater as superstições e, em 1914, promoveu a Escola Solidariedade Feminina, orientada por uma educação moderna e sem recorrer a castigos corporais. O projecto não vingou, devido ao reduzido número de inscrições.

Com a implantação da República, lutou pela sua consolidação, denunciando os oportunistas e adesivos; participou em campanhas de esclarecimento; combateu a ditadura de Pimenta de Castro; e apoiou convictamente a intervenção de Portugal na Guerra.

Desiludida com o rumo da Liga Republicana, ainda fundou, em 1915, a Associação Feminina de Propaganda Democrática, organização assumidamente política e que visava apoiar a acção de Afonso Costa. Mas as divergências e cisões entre os políticos republicanos; a instabilidade governativa; as revoltas e revoluções constantes; a resignação de Manuel de Arriaga; o consulado sidonista; e a noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, fizeram com que abandonasse prematuramente as actividades de carácter político, ainda que nunca tivesse abdicado dos seus ideais.

Morreu em 1955, com 84 anos de idade.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

[0367.] Memórias de Maria Veleda

Maria Veleda
- Memórias -


O lançamento, amanhã, dia 5 de Abril de 2011, das Memórias de Maria Veleda, com introdução, transcrição e anotações da historiadora Natividade Monteiro, é um acontecimento extremamente importante a vários níveis.

- As Memórias são o único testemunho memorialista feminino dos acontecimentos que antecederam a implantação da República e reflectem o empenhamento das mulheres republicanas na construção do novo regime.

- Comprovam que a República também foi uma construção no feminino, antes e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

- São paradigmáticas na forma como revelam a necessidade do republicanismo capitalizar a intervenção feminina, de modo a acelerar a corrosão da Monarquia.

- Evidenciam os sobressaltos por que a mulher, ainda para mais mãe solteira e com um filho adoptivo a cargo, passava para conseguir sobreviver e obter emprego, mesmo na área do ensino, tradicionalmente considerada mais acessível.

- A sua publicação é uma justa homenagem a uma republicana íntegra e coerente que sempre serviu a República e nunca se serviu dela, nem por ela foi beneficiada: “a República não me concedeu favores nem a mim nem aos meus – e disso me orgulho.