[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quinta-feira, 17 de março de 2011

[0359.] COMISSÃO FEMININA "PELA PÁTRIA" [I]

* COMISSÃO FEMININA "PELA PÁTRIA" *


Fundada em 1914 por Ana Augusta de Castilho, Antónia Bermudes, Ana de Castro Osório e Maria Benedita Mouzinho de Albuquerque Pinho, quatro amigas com passado feminista, a Comissão Feminina "Pela Pátria" correspondeu à primeira tentativa de aglutinar as portuguesas para o esforço de guerra. Recolheu donativos, agasalhos e matérias-primas para os soldados mobilizados e vítimas da guerra, tendo actuado junto de Câmaras Municipais, do professorado primário feminino e das associações de mulheres.

A Comissão funcionava no mesmo prédio onde vivia a família de Ana de Castro Osório, na Rua do Arco do Limoeiro, e tinha como distintivo um laço de fita vermelha com a divisa "Pela Pátria" impressa. O logótipo era constituído por duas mulheres, localizadas no lado direito, que olham para o Sol nascente, tendo uma delas os dois braços levantados, empunhando numa das mãos um ramo de oliveira e na outra uma pomba. Por baixo, surgia inscrito a mesma divisa.

O trabalho desenvolvido até à constituição da Cruzada das Mulheres Portuguesas mereceu o reconhecimento internacional de vários organismos e países.

[João Esteves]

segunda-feira, 14 de março de 2011

[0357.] Manuela Tavares

15 de Março de 2011
Manuela Tavares



[0356.] João Chagas

Há 100 anos... Um país enrascado!

O "governo pretende vencer as eleições e para as vencer, dispõe dos dinheiros públicos, como se estes pertencessem aos cofres do seu partido. Amanhã virá outro governo que, para vencer por sua vez outras eleições, fará outro tanto."

[João Chagas, As minhas razões, p. 218]
[Transcrito de Joaquim Romero Magalhães, Vem aí a República! 1906-1910, Almedina, 2009, p. 19]

sábado, 12 de março de 2011

[0355.] JOAQUIM ROMERO MAGALHÃES [I]

Vem aí a República! 1906-1910

[2009]

[0354.] Brito Camacho

Dá que pensar!

"A luta entre os dois grandes partidos históricos, partidos de governo, como lhes chamam, até ao momento em que se irmanaram e confundiram, nunca foi uma luta de princípios, foi sempre um conflito de meios - os indecorosos meios de que era necessário lançar mão para chegar ao poder." 

[Brito Camacho, A Luta, 31.12.1907]
[Transcrito de Joaquim Romero Magalhães, Vem aí a República! 1906-1910,
Almedina, 2009, pp. 21-22]

sexta-feira, 11 de março de 2011

[0353.] Liga Internacional de Mujeres Ibéricas e Hispanoamericanas

Talvez por influência da jornalista e escritora espanhola Carmen de Burgos y Seguí (1867-1932), Ana de Castro Osório e Elzira Dantas Machado (1865-1942) terão pertencido à Liga Internacional de Mujeres Ibéricas e Hispanoamericanas, fundada, em 1922, pela mexicana Elena Arizmendi com o objectivo de “reunir la fuerza dispersa de figuras y organizaciones feministas de todos los países Iberoamericanos”[1] e cuja sede oficial era em Madrid, havendo comités em Portugal e na América Latina[2].

Persiste um único documento da Liga Internacional de Mujeres Ibéricas e Hispanoamericanas, sem data, enviado às duas senhoras por Georgina Fletcher, sua representante na Colômbia, propondo a adesão à comemoração do centenário de José María y Vergara, homem de letras daquele país da América do Sul, argumentando que as duas filhas integravam a organização: embora o apelo proviesse do Centro Femenil Colombiano, o papel timbrado era encimado pelo nome da Liga Internacional de Mujeres Ibéricas e Hispanoamericanas e inscrevia, lateralmente, os nomes da Direcção Internacional, presidida por Carmen de Burgos e tendo Paulina Luisi como 2.ª Vice-Presidente e Ketty de Burgos como 2.ª Secretária[3].


[1] Concepción Núñez Rey, “Carmen de Burgos, Colombine: La modernización de España y la igualdad de las mujeres”, Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, n.º 22, 2009, p. 24.
[2] Concha Fagoaga, La Voz y el Voto de las Mujeres - El sufragismo en España: 1877-1931, Barcelona, Icaria, 1985, p. 152.
[3] BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/128.

quarta-feira, 9 de março de 2011

[0351.] ADELAIDE CABETE [VII] + MARIA BRAZÃO

* IRMÃS *


[0350.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - PORTUGAL [III]

* LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES *


Fundada em 1899, em França, por Sylvie Flammarion, a associação La Paix et le Désarmement par les Femmes visava resolver os conflitos internacionais mediante o recurso à arbitragem, implantando comités nos diversos países, constituídos somente por mulheres e tendo, cada um, a sua responsável nacional subordinada à dirigente francesa.

Na sequência de uma reunião realizada em Paris, em Novembro de 1906, convidou-se M. Frondoni Lacombe para organizar, em Portugal, um núcleo pacifista: Sylvie Flammarion, Presidente fundadora com residência em Paris; Madeleine Frondoni Lacombe, Vice-Presidente; Virgínia Quaresma, Secretária-Geral; Maria do Carmo Lopes, Tesoureira; Adelaide Cabete, Albertina Paraíso, Aureliana Teixeira Bastos, Carolina Beatriz Ângelo, Claudia de Campos, Domitila de Carvalho e Emília Patacho, Vogais.

Com sede provisória em Lisboa, na Rua de Santo Antão, 193, 3.º, a primeira reunião decorreu a 6 de Dezembro de 1906 e, para além de se terem discutido os Estatutos franceses, de forma a adaptá-los à realidade nacional, deliberou-se, por aclamação, que Magalhães Lima seria sócio honorário e Alice Pestana, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Jeanne Paula Nogueira e Olga Moraes Sarmento da Silveira, “senhoras que, a par do espírito culto e brilhante com que se têm destacado no nosso meio intelectual, têm prestado ao ideal pacifista relevantes serviços” , sócias beneméritas.

Em 1909, coincidindo com a efervescência política que se vivia em Portugal e a intensificação da propaganda republicana, Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Ângelo demitiram-se da organização.

[0349.] Regina Tavares da Silva - Ana Vicente

Conferências
- BMRR - Grandella -

09.03.2011

terça-feira, 8 de março de 2011

[0348.] A educação não é uma aventura!

Mais de 100.000!

Para quando o regresso do bom-senso
aos (ir)responsáveis pelas políticas da
educação?
[08.03.2008]

[0347.] As Mulheres e a República

08.03.2010

Quando há 100 anos triunfou a República, já se esboçara o empenho feminista, cívico e político de escritoras, médicas, professoras, educadoras, jornalistas e domésticas que se interrogavam sobre a menorização em que viviam as portuguesas, expressa no Código Civil e na taxa de analfabetismo (85%, em 1900). Da reflexão e discussão sobre a sua condição na sociedade, influenciadas pelas repercussões das lutas em ebulição pelo mundo, passou-se ao recurso à imprensa e, entre 1906 e 1916, à fundação de agremiações feministas de cariz pacifista, maçónico, republicano, sufragista, apolítico ou nacionalista.

Após a Revolução, entre 1910 e 1918, destacaram-se as reivindicações aos poderes políticos. E embora a consciencialização, intervenção e mobilização das mulheres se revelassem inicialmente autónomas, independentes e diversificadas, a conjuntura política vivida no dealbar do século foi determinante para que o republicanismo tivesse influência na afirmação e enquadramento do feminismo português.

Antes e durante a República, fez-se a denúncia das condições legais, sociais, políticas, económicas, educativas e morais em que se encontravam as mulheres, merecedoras dos mesmos direitos e deveres reconhecidos aos homens; reivindicou-se a Lei do Divórcio, a revisão do Código Civil, o sufrágio feminino restrito, a enfermagem e ensino laicos, a independência económica, a igualdade salarial, o direito à instrução e educação femininas, a abolição da prostituição, o combate à mendicidade infantil, a protecção da maternidade, uma só moral para ambos os sexos; e internacionalizou-se o combate, com a adesão às federações internacionais femininas.

Há cem anos, a discussão feminista foi uma realidade; várias líderes coexistiram, não obstante divergências e incompatibilidades; a mobilização abarcou centenas de activistas burguesas e urbanas; e estas debateram, actuaram, opinaram, polemizaram, discursaram, politizaram-se, expuseram-se, arriscaram, foram incompreendidas, sofreram injúrias, mas marcaram presença nos momentos decisivos ou em pequenos eventos. Estiveram na rua em nome da República, pela República e para celebrar a República, sem renunciarem à obtenção de direitos e Portugal teve uma mulher a votar, a primeira a exercer esse direito em toda a Europa do Sul: a médica Carolina Beatriz Ângelo, perante a omissão da lei eleitoral, por saber ler e escrever, ser chefe da família, pois era viúva, e ter uma filha menor a cargo, recorreu para os tribunais, conseguiu recensear-se e votar, a 28 de Maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte.

Sem omitir que houve muitas outras mulheres e lutas, como as do operariado feminino, que nunca entroncaram nas reivindicações feministas e continuam esquecidas, e as que morreram ou ficaram feridas no próprio dia 5 de Outubro na Avenida, na Rotunda, nas Ruas do Ouro, do Grilo ou da Maria Pia, vítimas de granadas, armas de fogo ou bombas, sem que nada tivessem a ver com os acontecimentos e sem que a História recorde os seus nomes, evocá-las é prestar-lhes um tardio tributo e pressentir aspirações, vitórias e reveses de cada uma e de todas em tempos adversos à afirmação feminina, numa caminhada actual e sempre inacabada pela igualdade.

Frequentemente contornados ou subvalorizados, os direitos tão duramente reivindicados e conseguidos através de constantes lutas nestes cem anos não podem ser dados como adquiridos ou irreversíveis, como a realidade tem demonstrado ao evidenciar o desfasamento entre o espírito das leis e as vivências quotidianas e quando se registam constantes retrocessos em nome da adequação a novos tempos... mas velhas práticas.

[0346.] Centenário da República - Vértice

Uma das novidades que o Centenário da República tem propiciado é o enfoque, inusitado, na situação das mulheres nas primeiras décadas do século XX, líderes feministas e republicanas e consequente associativismo.


A revista Vértice é mais um exemplo e o n.º 154 da II Série, virado exclusivamente para o Centenário da República, dedica, talvez pela primeira vez na sua longa história de décadas, 34 páginas à temática das mulheres no contexto republicano, com textos assinados por Domingos Abrantes, Maria Alice Samara e João-Maria Nabais.

Como é óbvio, a luta das mulheres não começou com o feminismo republicano, mas também não se pode ignorar ou desvirtuar a importância e o contexto histórico  datado deste só por ser, maioritariamente, composto por "burguesas", subalternizando algumas das suas justas reivindicações.

Aliás, muitas das intelectuais e militantes que se destacaram na resistência ao salazarismo, nomeadamente no âmbito da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, provinham da burguesia e muitas delas não "hibernaram", tendo participado activamente na oposição e vivido intensamente os acontecimentos políticos, sociais e económicos subsequentes à Revolução de Abril de 1974.

Certo é que tanto "operárias" como "burguesas" acabaram por ser silenciadas durante demasiado tempo e, pelo menos, o Centenário teve o mérito de as trazer para a discussão pública e integrá-las na análise histórica.

 

domingo, 6 de março de 2011

[0343.] MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO [I]

* A MEMÓRIA DAS MULHERES: MONTEMOR-O-NOVO EM TEMPO DE DITADURA *

|| COORDENAÇÃO: TERESA FONSECA ||


[Edições Colibri || 2007]

A Memória das Mulheres – Montemor-o-Novo em Tempo de Ditadura, coordenado por Teresa Fonseca e colaboração de Elvira Cabrela, Maria Margarida Machado e Vitalina Roque Sofio, resgata histórias de vida de 24 mulheres que, em tempos sombrios da Ditadura Salazarista, souberam resistir e, num contexto particularmente adverso, lutar, resistir e vencer.

É um documento histórico carregado de memórias ainda recentes e os depoimentos, essenciais a quem quiser estudar a resistência antifascista no seu todo e, em particular, na componente feminina, não deixam ninguém indiferente.

Eis um excelente exemplo a seguir pela Historiografia, que tanta relutância tem tido em entrar por essa via e mais ainda quando se trata de dar voz às mulheres.

Depoimentos:

- Amarílis Narcisa dos Santos
- Angelina Maria Borla Cação
- Antónia Rosa de Carvalho
- Custódia Rosa Torres
- Dionilde da Conceição Graça
- Florentina da Visitação Catarro
- Florinda Margarida Concórdia Anes
- Fortunata Lourença dos Santos
- Gertrudes Maria Borla Calção Marmeleira
- Joaquina de Jesus
- Lisete de Jesus Liberato Rodrigues Pinto de Sá
- Maria Bernardina de Oliveira Pais
- Maria Cristina Pavia
- Maria Fernanda Testos Batista Pereira
- Maria Lourença Cabecinha
- Maria Luísa Tomate
- Maria Margarida dos Santos Machado
- Maria Matilde Caldeira Badalinho Pires
- Maria Teresa Machado Barreiros
- Mariana Amália Vidigal Alves Besuga
- Ricardina Maria Gaudêncio
- Rosalina Maria Morraceira
- Sofia dos Sanros Machado
- Vitalina da Conceição Pavia Roque Pires Sofio

[0342.] Centenário da República

Montemor-O-Novo
- Ciclo de Conferências -



[06.03.2011]

O meu obrigado à Teresa Fonseca e a Jorge Fonseca pelo convite para integrar, em tão boa companhia, o excelente Ciclo de Conferências evocativo de "A Primeira República" e cuja comunicação coincidiu com as comemorações do Dia Internacional da Mulher. 

sábado, 5 de março de 2011

[0341.] RITA DANTAS MACHADO [SÁ MARQUES] [IV]

[Ainda] RITA DANTAS MACHADO


As comemorações do Centenário da I República permitiram redescobrir e divulgar inúmeras mulheres que, espalhadas pelo país, contribuiram para a sua implantação, antes, durante e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

Elzira Dantas Machado e várias filhas, entre as quais Rita Dantas Machado, assumiram destaque entre as muitas centenas de nomes referenciados e se hoje é possível desenhar com precisão o contorno dos seus contributos muito se deve ao trabalho persistente de investigação e divulgação de memórias pessoais levado a cabo pelo Dr. Manuel Sá Marques, quer através do seu Blogue "Bernardino Machado", quer mediante inúmeras deslocações a Escolas, fazendo chegar aos mais novos essa memória viva.

Espera-se que o exemplo tenha seguidores e familiares de outras activistas procurem recuperar uma memória que não pode e não deve ser perdida, iluminando a esfera pública e privada dessa militância de há 100 anos.

[0340.] As Mulheres e a I República

Museu Bernardino Machado / Vila Nova de Famalicão
- As Mulheres e a I República -
Conferências / II - Prof. Doutor Norberto Cunha

[11.03.2011]

[0339.] As Mulheres e a I República

[344.]
2011.02.04
Museu Bernardino Machado / Vila Nova de Famalicão
- As Mulheres e a I República -
Conferências / I - Prof. Doutor Fernando Catroga

[04.02.2011]

sexta-feira, 4 de março de 2011

[0338.] Carolina Beatriz Ângelo

- Entrevistas -
II
O jornal A Capital de 25 de Março de 1911 publica uma entrevista com a médica Carolina Beatriz Ângelo.

 
[25.03.1911]

"No Limiar Da Urna - As mulheres querem entrar! - ‘Se a lei não nos abre a porta, também não nos põe na rua’ - Assim o entende uma denodada sufragista portuguesa

[...]
A notícia é nova em folha e podia, portanto, ser dada com mais preâmbulos. Como, porém, não queremos torturar a curiosidade do leitor, aqui lha servimos sem rodeios: a mulher portuguesa não se conformou com os severos artigos e parágrafos da lei eleitoral, que lhe recusam a liberdade de voto. Reage, e... vai tentar a escalada da urna! Será feliz nessa arriscada empresa, que muitos de nós, os fortes, não teríamos coragem de abordar? Terá, para isso, de empregar heróicos esforços, cujos ecos façam gemer os prelos da Europa inteira?

À primeira pergunta responderá o futuro. À segunda respondemo-lhes nós, pela boca duma das nossas mais sinceras democratas - a distinta médica sr.ª D. Carolina Beatriz Ângelo.

*

A inteligente sufragista não quis acreditar nos seus ouvidos quando lhe dissemos - que sabíamos tudo. Evidentemente, ela tinha o seu segredo - porque, por enquanto, é um segredo! - fechado a sete chaves, e julgava-o até inatingível pela diabólica indiscrição do repórter. Caiu, por isso, das nuvens. E, conquanto não tivesse a crueldade de nos obrigar a dizer o nome do nosso informador, íamos jurar que ainda mesmo agora o não sabe - nem talvez o venha a saber. Entretanto, gentilmente confessou que a nossa informação era exacta, passando a expor-nos em poucas palavras o seu plano - que, afinal, é bem simples.

- A nossa intenção - começou ela - não é pedir agora ao governo que introduza modificações na lei. De forma alguma. Nós propomo-nos tomar parte no sufrágio eleitoral, mas sem que para isso seja necessário alterar uma vírgula do decreto.

E, perante a nossa sincera estupefacção, a ilustre feminista explica:

- A lei eleitoral, conquanto não nos abra a porta, também nos não dá com ela na cara. Esse facto é que talvez o senhor não tenha notado e por isso se admira tanto. Pois leia a lei e verá. Encontram-se ali artigos e parágrafos para determinar quem pode ser eleitor e artigos e parágrafos para mostrar quem pode ser elegível; explica-se ali que tal e tal não pode votar porque é menor ou não tem folha corrida, e que tal e tal não pode ser eleito porque desempenha determinados cargos. O que, porém, ali se não diz é que tal e tal não pode ser eleito ou eleitor... pelo facto de ser mulher. Ora, se assim é, porque motivo hão-de as mulheres ser excluídas da urna?

Achámos curioso o argumento, mas, como é natural, mais uma vez nos mostrámos incrédulo. Porém, a nossa ilustre entrevistada prossegue:

- Bem sei o que me vai dizer. Que se a lei não menciona os sexos é porque se subentendia que só dos homens se tratava. Efectivamente, assim parece, e decerto foi essa mesma a impressão do legislador. Mas a verdade é que, juridicamente, não é assim. Devo esclarecê-lo que, antes de tomar a resolução de reclamar, consultei o meu advogado . E conquanto tenha compreendido - faça-me a justiça de o acreditar - que, na intenção da lei, estão as mulheres irremediavelmente excluídas, nem por isso deixaremos de apresentar o nosso protesto, quando mais não seja para obrigar o ministro... a publicar um esclarecimento à mesma lei. Se o não fizer nem formos atendidas, resta-nos a consolação de dizer que a lei deixou de ser observada.

- Evidentemente, é isso que vem a acontecer. Publica-se o esclarecimento... e nada feito.

- Decerto. Nós também não contamos com outra coisa. Mas, ao menos, cumpre-se a lei; e com isso nos contentamos, por agora...

- Por agora...

- Naturalmente. O facto de termos sofrido agora uma decepção - porque foi uma decepção - não basta para nos prostrar desalentadas. Continuaremos, com mais tenacidade que nunca, a pugnar pelo que reputamos um sacratíssimo direito - o voto das mulheres. Bem sei que nos tentam tapar a boca com o eterno argumento: a mulher não está suficientemente educada para intervir na política do país. De acordo. Nós também não reclamamos desde já o voto para todas. Reclamamo-lo para aquelas cuja ilustração e inteligência as colocam em circunstâncias iguais ou superiores às dos homens. E não se pode dizer que isso afectaria os princípios da igualdade, visto que também entre os homens se faz idêntica selecção.

O voto das mulheres - continua a nossa amável interlocutora - é absolutamente indispensável numa sociedade bem constituída e especialmente num país onde se implantaram os princípios da democracia. A experiência é cheia de fac-tos que o comprovam. Toda a gente sabe que a entrada das mulheres em certos parlamentos, como por exemplo os da Noruega, contribuiu enormemente para a diminuição do alcoolismo. É que há questões e problemas no organismo de um povo que só as mulheres podem compreender eficazmente. E se as mulheres já têm o direito de intervir na arte, no funcionalismo, na ciência, em todos os ramos, enfim, da actividade humana, porque razão hão-de deixar de intervir na política, que é o principal factor de toda a engrenagem social?

A sr.ª D. Beatriz Ângelo falava agora com outra animação, e decerto prosseguiria na sua bela defesa das regalias feministas. Eram, porém, horas de seguir para o seu consultório médico, onde certamente a aguardavam já numerosos clientes. Urgia, portanto, por termo às suas interessantes considerações. Mas, como ainda lhe dirigíssemos mais uma pergunta sobre a reclamação a fazer ao governo, a ilustre senhora gentilmente nos esclarece:

- Trata-se dum requerimento em forma, condimentado com os necessários argumentos justificativos. É elaborado por mim e deve ser entregue dentro de breves dias.

E com estas palavras pôs termo à agradável palestra, da qual fornecemos ao leitor os pontos mais interessantes.

R. J."
[A Capital, p. 1, cols. 6-7 e p. 2, col. 1]

quinta-feira, 3 de março de 2011

[0337.] Carolina Beatriz Ângelo

- Entrevistas -
I
O jornal A Capital de 22 de Fevereiro de 1911 publica uma entrevista com Carolina Beatriz Ângelo, ilustrada com a sua fotografia.

[22.02.1911] 

"A Questão do Dia - As feministas portuguesas são feministas... femininas - assim no-la afirma uma das mais ilustres, a sr.ª D. Carolina Beatriz Ângelo

Uma comissão de senhoras, no intuito de promover o levantamento intelectual e moral da mulher, a exemplo das suas congéneres doutros países, vai promover, como A Capital já teve ocasião de noticiar, uma série de conferências de propaganda feminista, feita por muitos e distintos oradores, constando-nos que as iniciará o eminente republicano dr. Magalhães Lima.

O assunto feminismo é hoje palpitante e crescente de interesse pelas reivindicações de direito que dia a dia vem conquistando. Em todo o mundo onde a civilização mais tem avançado a mulher pode e trabalha para obter a sua liberdade, ora persuadindo e solicitando, ora exigindo com a força da sua solidariedade e com a justiça da sua causa.

Desde os tempos mais remotos que ela tem sido sempre escravizada e a sua voz clamando justiça e liberdade só agora começa a ouvir-se e a atender-se. As dinamarquesas e suecas já conquistaram os seus direitos municipais; as da Noruega, Finlândia, Austrália e de alguns Estados da América conseguiram entrar nos parlamentos. Na Itália, Áustria, Suíça, Hungria, Rússia, Inglaterra e França o movimento feminista cada vez mais vai aumentando e numa luta constante ganha um terreno que o há-de levar fatalmente à vitória. Em Portugal esse movimento cresce e vai entrar agora na sua fase de maior propaganda, para o que trabalha nesse sentido uma comissão de senhoras.

As senhoras deverão, pelo menos, assistir às conferências de propaganda feminista

Soubemos que estava à frente dessa comissão a sr.ª D. Carolina Beatriz Ângelo, médica muito distinta, motivo por que a fomos procurar ao seu consultório, distraindo-a dos seus afazeres profissionais, para informarmos os leitores de A Capital das intenções dessas senhoras, ante as anunciadas conferências.

À nossa pergunta nesse sentido a ilustre médica, com a mais encantadora gentileza, responde-nos logo:

- Da melhor vontade e com o maior prazer, visto que tenho mais esta ocasião de pedir a todas as senhoras portuguesas que nos acompanhem, pelo menos ouvindo os conferentes, que são dos mais ilustres pensadores e homens de letras.

Eles dirão certamente, com os fulgores do seu talento e o brilho da sua palavra, qual a justiça da nossa causa. Queremos que a lei eleitoral nos permita votar e podermos ser eleitas, a fim de termos representação parlamentar.

A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, a que tenho a honra de pertencer, já lembrou ao governo provisório o seu desejo de que se estabeleça o sufrágio universal com igualdade de direitos para homens e mulheres. Há muito quem diga ser a mulher, sobretudo inculta, um espírito fraco e facilmente maleável ao sabor político de exploradores ou exploradoras do seu voto, como se o domínio do lar não fosse sempre exercido pela ternura e carinhos da mulher que consegue do seu homem, quando queira, tudo quanto possível seja neste mundo. E quantas vezes a jesuitada não tem pelo confessionário empregado esse estratagema? Quantas mulheres, mesmo dessas incultas, não terão levado os maridos, os espíritos fortes, a votarem em quem elas, os espíritos fracos, querem?

- Nesse caso, v. ex.ª é pelo voto feminino incondicional?

Não. O que eu entendo necessário e indispensável é desde já o governo dar o voto à mulher economicamente independente, e só a esta por enquanto. Para ver se isto se consegue é que uma comissão de senhoras trabalha e pede a colaboração de toda a gente.

Em Lisboa há um grande número de senhoras educadas e com a ilustração bastante para compreenderem que pretendemos apenas reivindicar direitos que justamente pertencem a nós todas. Basta a sua comparência às nossas conferências, porque a manifestação do número é sempre eloquente. Trata-se da maior garantia de liberdade e justiça que a mulher pode alcançar – a representação parlamentar.

As nossas feministas reprovam as exibições e as manifestações espectaculosas

E parece-lhe que a conseguirão?

Esperamos obter do governo essa concessão, deixando-nos discutir as leis, principal-mente aquelas que mais interessem a mulheres e crianças.

Não pretendemos exibir-nos, nem tão pouco usurparmos ao homem as peças do seu vestuário, como algumas feministas exageradas, não! Eu entendo, e como eu todas as minhas colegas e companheiras, que é necessário o maior cuidado em evitar o ridículo que certos homens e mulheres procuram opor-nos, mostrando-nos sempre tal como somos feministas bem femininas, com todo o encanto e graça, pouca ou muita, de que cada qual possa dispor. Devo confessar-lhe que detesto as manifestações espectaculosas das violências, pendões e gaitas que algumas das nossas colegas inglesas empregam como argumento irrefutável e como arma terrível de combate, que as torna ridículas às vezes. Penso doutra forma; estou convencida que a mulher, por meio de associações cuidadosamente organizadas, onde a dignidade e o carácter se imponham, poderá conseguir a sua liberdade, protegida em nome do direito. E então, ocupando na vida o seu verdadeiro lugar, ela satisfará dignamente a sua missão, incutindo nos filhos e filhas as mesmas virtudes, na sua igualdade civil e nos progressos realizados pelos seus progenitores, preparando uma raça nobre, digna e cheia de felicidade.

E eis quanto a ilustre feminista sobre o assunto teve a extrema amabilidade de nos comunicar."

[A Capital, p. 1, cols. 5-7]

quarta-feira, 2 de março de 2011

[0336.] ELZIRA DANTAS MACHADO [IV] + Rita Dantas Machado

Homenagem a Elzira Dantas Machado (1865 - 1942)
+
Rita Dantas Machado (1888 - 1970)

+
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[0335.] Carolina Beatriz Ângelo

- Carta a Ana de Castro Osório -
III - Última Carta

“Recebida em 11-10-1911 - tendo tido a notícia da sua morte por telegrama para o “Estado de S. Paulo” em 4-10-1911 [Anotação de Ana de Castro Osório no início da missiva].

Minha querida Ana

Recebi um postal seu em que me pede uns poucos com o meu retrato. Remeto-os.

Ontem fomos em Comissão cumprimentar o presidente da República [Manuel de Arriaga] - saímos de lá furiosas e com imensa tristeza. Não imagina como o homem está - pateta de todo - disse tolices sem conta e por fim incitou-nos a... ser cocotes, isto é, a combater o homem, indo uma só, porque com toda a nossa astúcia e meiguice o venceríamos sempre. Ora calcule! Eu estava sobre brasas e com certeza que, se fosse um homem novo que me dissesse toda aquela fiada de sandices, teria levado uma resposta condigna. As histórias que ele nos contou! Disse que as sr.as são umas tiranas porque as criadas de servir dizem sempre m.to bem dos patrões e detestam as patroas! Ora quando numa visita tão banal o homem fez assim uma péssima figura calcule-se o que será em coisas que requerem raciocínio e bom senso!

Em compensação desta grande decepção tive à noite uma longa e m.to agradável conversa com o Brito Camacho, que fui procurar à redacção acompanhada pela Irene [Maria Irene Zuzarte]. Não imagina a amabilidade com que fomos recebidas e como eu trouxe uma bela impressão do homem! Já leu com certeza o amável eco em que dá conta da visita. Isto para mim significa, e é por isso que estou satisfeita, que o homem está moralmente inibido de atacar a nossa Associação. Já me lembrei de o convidar para falar na festa inaugural. Olhe q. me parece não ser difícil a empresa. Bem conversadinho...

A bandeira está a bordar mas não calcula as ralações que me tem causado! Primeiro foi um castigo para conseguir que a Laudete desse o desenho, apesar de querer ser ela a fazê-lo; e depois, só para nós, o tal soi-disant desenho era uma porcaria tal, tão sem nexo, que era impossível pensar em o executar, tanto mais que a bandeira não fica nada barata. Que rodeios, que diplomacia, que comissões tive de mandar para conseguir que não ficassem melindradas por se executar um outro desenho que, à pressa, me fez meu cunhado, que sabe o que é desenhar, pois é arquitecto e premiado da Academia. A festa inaugural conto que se fará depois das festas de 5 de Otubro. Não se descuide em mandar qualquer coisa escrita para se ler e mostrar-nos assim que está em espírito connosco.

Contamos que irá falar como advogado da Ass. o Dr. Mauricio Costa; e os demais oradores serão Dr. Afonso Costa, Dr. Bernardino M., Faustino da Fonseca e Ribeiro de Carvalho. Teremos 4 números de música, sendo um de canto; e mais nada para não maçar m.to o respeitável público a quem desejamos deixar uma impressão agradável.

Parece-me que agora sempre me resolverei a publicar alguns artigos de propaganda. A questão é começar. A minha falta de saúde é que é m.to maçadora. Se eu tivesse saúde e dinheiro...

Sua mãe mandou-me ontem dizer pela Constança que o nosso Nunes chega no dia 1 de Outubro. Já me mandou uma poesia, não sei se lhe disse - versos de pé quebrado mas, enfim, versos.

Agora está um tempo m.to triste, começa o frio e os dias a diminuir. O inverno, o meu terror, aproxima-se.

Beijos da Maria para o Jéca.

M.tos cumprimentos ao Mano Paulino e um saudoso abraço para si

da sua Mto A.

Carolina”

terça-feira, 1 de março de 2011

[0334.] Manuela Tavares

- Entrevistada por São José Almeida [Público]  -

[28.02.2011]

[0333.] Carolina Beatriz Ângelo

- Carta a Ana de Castro Osório -
II  - [13.08.1911]

“Minha querida Ana

A nossa Ass. continua com toda a força e vigor. Já temos setenta e tantas sócias e algumas de valor: a mulher do Dr. Sousa Costa, a do Dr. Lopes d’Oliveira [Felismina Branquinho Lopes de Oliveira], a do Tomaz da Fonseca, a viúva do João de Deus [Guilhermina de Battaglia Ramos], etc. Tratamos de arranjar a biblioteca para o que se distribuíram umas circulares aos autores e editores portugueses e estrangeiros. Já recebemos algumas publicações francesas e italianas, sendo curioso o facto de se terem mandado as circulares em português e eles lá as mandarem traduzir. Procedeu-se assim por proposta da Sr.ª Sousa e Costa que é toda patriota e por isso quer que lá fora façam caso da língua portuguesa e se acostumem a vê-la. Achei boa a ideia, de maneira que a correspondência, mesmo para as associações feministas estrangeiras, irá toda em português e, nos primeiros tempos, em francês também, até que eliminemos de todo as línguas estranhas. Se não entenderem que mandem traduzir que o mesmo tenho eu feito à correspondência em arrevesadas línguas que me têm dirigido. A bandeira está a bordar, quero ver se fazemos a sessão inaugural nos primeiros dias de outubro. Peço-lhe que escreva qualquer coisa feminista, para ser lido nessa ocasião. Mande com tempo.

Fiz imprimir uma representação às Constituintes que já lá foi distribuída a todos os deputados. Aproveitei parte daquela que em tempos fomos entregar ao Teófilo Braga e redigi o resto com aponta.tos fornecidos pela M.me Jeane [Joana de Almeida Nogueira] e pelas minhas leituras feministas. Lá receberá uns exemplares da representação e estatutos que eu disse à Laura [Maria Laura Monteiro Torres] para lhe enviar. Diga se acha bem.

Estava em reunião no Grémio q.do me mostraram o meu retrato no jornaleco da Liga. Respondi ali mesmo ao lindo artigo que o acompanha [O último número da revista A Mulher e a Criança, de Maio de 1911, publica o retrato da médica na primeira página e a Redacção dedica-lhe o editorial, sendo este artigo que Beatriz Ângelo menciona] pois estavam também a Veleda [Maria Veleda, provável autora do artigo] e Vilar Coelho [Berta Leonia de Vilar Coelho, professora do ensino livre e, durante alguns meses, militante activa da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Irmã de Alice Pestana (por parte do pai – Eduardo Augusto Vilar Coelho)]. Depois de lhe responder à letra a tudo, mostrei-lhe a minha superioridade aceitando gostosamente e com palavras de agradecimento um camarote que ofereceram à Ass. de P. Feminista para a festa que a Liga ia realizar no Coliseu [A Liga realizou, no dia 9 de Julho de 1911, uma festa de homenagem a Afonso Costa, que decorreu no Coliseu. A sessão foi presidida por Bernardino Machado e discursou, entre outros oradores, Maria Veleda]. Entenderam tão bem que agora nas assembleias gerais da Liga têm sempre palavras elogiosas para a nossa Ass. «que, afinal, dizem elas, tem o mesmo ideal da Liga, visto que procura elevar a mulher». Não imagina como elas estão de veludo para nós. É claro que é tudo fingido mas isso nada me importa visto que lhe retribuo em igual moeda, mas sempre é bom para não andarmos ostensivamente à descompostura, o que seria de m.to mau gosto entre feministas.

Não faça caso das insinuações que lhe fazem e finja que as toma m.to a sério. Não está excitada, é claro, está até m.to satisfeita e feliz - é a maneira de as arreliar mais.

O Santos está Consul em Tuy e levou a mulher com ele. Fizeram-me também uma picardiazinha; coisas minhas, afinal: não me interesso ou obsequeio ninguém que não venha em paga um ponta-pé. Isto é fadário meu.

Hei-de ver se por outro lado arranjo alguém que conheça a gente de “A Capital” por causa dos seus artigos. A respeito da Olga falou-se m.to em assembleia da Ass. e mandámos para os jornais m.ta coisa que eles houveram por bem eliminar quase. Que quer? Uns bonitos olhos e palavrinhas doces viram tudo...

A Mª Evelina de Sousa e Alice Moderno mandaram-me os seus jornais em que vêm artigos a meu respeito. Vou escrever-lhes. São belas aquisições para a Ass.

Tenho trabalhado m.to nos últimos tempos, de maneira que há 15 dias tenho estado m.to doente e talvez me resolva a ir descansar para o campo uns dias. Ai, minha querida Ana, contrariedades e decepções todos temos, mas olhe que eu há uns tempos tenho uma série... enfim, o que me vale é o meu génio - ora choro, ora rio e cá vou vivendo. Olhe, sabe o que me convinha? era que a Ana aí me arranjasse um brasileiro m.to rico, m.to rico que quisesse associar-se comigo para eu poder realizar um sonho que há m.tos anos acaricio. Se eu tivesse dinheiro que belas coisas faria! - a primeira seria a construção e manutenção dum sanatório para raparigas. Não imagina como me tenho sentido infeliz por não poder fazer nada em favor de duas pobres raparigas tuberculosas que tiveram a triste ideia de me consultar. Creio que isso contribui m.to para a minha doença. Uma delas é tão inteligente, tão feminista, tem umas ideias tão parecidas com as minhas que me deixa sempre com vontade de morrer, de deixar esta vida de amarguras e desenganos em que só os bons sofrem porque os maus não têm alma para sentir os infortúnios alheios.

Li aquele livro Inevitável Reparação, que me deixou grandes impressões!

Sua mãe veio visitar-me há dias e achei-a m.to bem disposta e um pouco mais gordinha - gostei de a ver.

A Laura Torres anda adoentada por isso pediu um mês de licença.

Os conspiradores continuam a fazer té-tés na fronteira o que obriga o nosso desgraçado país a uma despesa enorme para manter a fronteira convenientemente vigiada. Os malditos não chegam a entrar. Agora os srs. deputados andam todos à bulha por causa da eleição do Presidente. Não imagina a chicana, as questões pessoais, as porcarias que isto tem levantado! Causa tristeza tudo isto - parecem monárquicos! A não ser o nosso Afonso Costa o resto não vale dois caracóis.

Cumprimentos ao Mano Paulino e beijos ao Jéca.
Escreva sempre que possa.
Um saudoso abraço da
Sua m.to A.

Carolina

Lx. 13-8-911”