[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

[0292.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - PORTUGAL [II]

* MANIFESTO "A PAZ E O DESARMAMENTO PELAS MULHERES" *

A Vanguarda de 29 de Dezembro de 1906 publica o manifesto “A paz e o desarmamento pelas mulheres”, do Comité Português da associação La Paix et le Désarmement par les Femmes, onde se apela à adesão das interessadas.

As inscrições devem ser enviadas para a sede provisória, na Rua de Santo Antão, 193 [p. 1, col. 6 e p. 2, col. 1].

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

[0291.] VIRGÍNIA QUARESMA [I]

* VIRGÍNIA SOFIA DA GUERRA QUARESMA *

[28.12.1882 - 26.10.1973]

Nasce, a 28 de Dezembro de 1882, a militante feminista e jornalista Virgínia Sofia da Guerra Quaresma.


Filha do general Júlio Guerra Ferreira Quaresma, que chegou a ser comandante militar dos Açores, Virgínia Quaresma nasceu em Elvas, diplomou-se pela Escola Normal de Lisboa e pelo Curso Superior de Letras e distinguiu-se como jornalista, tanto na imprensa feminina, como nos jornais diários de expansão nacional. Foi, aliás, a primeira mulher que exerceu essa profissão no país, notabilizando-se na reportagem de acontecimentos políticos.

Durante muito tempo ignorado, o seu nome é indissociável da primeira fase do movimento feminista português, tendo colaborado, a partir de 1906, na secção "Jornal da Mulher" (O Mundo), onde assinou importantes textos em defesa do feminismo e manteve uma esclarecedora polémica com Maria Veleda.

Foi redactora principal e Secretária da Redacção da revista Alma Feminina (1907-1908), dirigida por Albertina Paraíso; endossou, ao ministério do reino, uma carta contestando a exclusão de estudantes do sexo feminino do pensionato ao estrangeiro (1907); e em 1909, segundo a Revista Pedagógica, acumulava as funções de co-redactora do jornal O Século com as de professora de instrução secundária da Real Casa Pia.

Activista do pacifismo, integrou a Secção Feminista da Liga Portuguesa da Paz e pertenceu ao Comité Português da associação La Paix et le Désarmement par les Femmes, criado em Dezembro de 1906. 

Enquanto republicana, participou em numerosas sessões de propaganda realizadas nos Centros Escolares, ainda antes de 5 de Outubro de 1910, onde enalteceu o papel destes na difusão da instrução e no reforço da assistência infantil.


Virgínia Guerra Quaresma também militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ainda que nunca tenha desempenhado qualquer cargo dirigente: engrossou a campanha a favor da aprovação da Lei do Divórcio (1909); interveio na emblemática assembleia geral de 26/10/1910; e, a convite de Ana de Castro Osório, foi oradora na sessão de homenagem à médica e feminista francesa Madeleine Pelletier (11/12/1910), tendo produzido “um substancioso discurso sobre o feminismo, concluindo por dizer que a propaganda feminista devia, de facto, começar agora e prosseguir persistentemente, fossem quais fossem os escolhos encontrados no seu caminho”.

Um ano depois, em 03/11/1911, discursou na sessão solene organizada pelo Grupo das Treze em memória de Carolina Beatriz Ângelo.


Em Fevereiro de 1911, F. da Silva Passos defendeu, na 1.ª página do jornal A Capital, a nomeação de Virgínia Quaresma para segundo secretário de legação, já que não só possuía o curso de diplomacia - constante das seguintes cadeiras, História Universal, Filologia Românica, Geografia, Francês, Inglês, Filologia Portuguesa, Literatura Nacional e História Pátria -, como tinha obtido melhores classificações que os colegas.

Em Agosto, o mesmo periódico noticiou que ia ser “nomeada para, em comissão de serviço público, estudar, em França, Itália, Suíça e Alemanha, a organização e funcionamento dos estabelecimentos modelares de educação feminina”.


Pouco depois da implantação da República, partiu para o Rio de Janeiro, de onde regressou em finais de 1915, e foi directora da sucursal, em Lisboa, da Agência Americana de Notícias. Voltou diversas vezes àquele país, onde trabalhou no Correio Português e em A Época.

[Voz de Portugal, 08.01.1961]

Devido aos serviços que prestou durante a 1.ª Guerra Mundial, Virgínia Quaresma foi condecorada com o grande oficialato da Ordem de Santiago.

Faleceu em 26 de Outubro de 1973, em Lisboa, com 90 anos de idade.

A jornalista Maria Augusta Seixas apresentou uma dissertação sobre a sua vida, estando em vias de publicação.

[0290.] DICIONÁRIO NO FEMININO [XXV] || LETRA Z

* LETRA - Z *

 

Zélia Maria Ferreira Palma
Zelma
Zila
Zilda Guimarães
Zita Maga
Zoé Grabit Pereira
Zoé Wauthelet Batalha Reis
Zulmira Azevedo Costa
Zulmira da Costa Ferreira de Melo Freire de Andrade
Zulmira de Melo
v. Zulmira da Costa Ferreira de Melo Freire de Andrade
Zulmira E. de Sá
Zulmira Homem de Melo

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

[0289.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XI] || 27/12/1925

* 27 DE DEZEMBRO DE 1925 *

Realiza-se no dia 27 de Dezembro de 1925 a assembleia-geral do CNMP, presidida por Vitória Pais Madeira e secretariada por Maria do Céu Branquinho e por Berta Garção. Escolhe-se Adelaide Cabete para representar a agremiação no Congresso Feminista de Paris, a decorrer em Maio de 1926:

"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas

No dia 27 de Dezembro de 1925 reuniu-se a assembleia geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas para leitura dos relatórios e contas, e eleições.

Tomou a presidência a sr.ª D. Vitória Pais Madeira, secretariada pelas sr.as D. Maria do Céu Branquinho e D. Berta Garção. A sr.ª presidente ao abrir a sessão teve palavras de regozijo pela obra verdadeiramente benemérita do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e congratulou-se pelo bom conceito como é tido no espírito público.

Antes da ordem do dia usaram da palavra algumas senhoras que fizeram várias referências aos trabalhos do Conselho, tendo ficado assente fazer uma representação ao Parlamento expondo os pontos de vista do Conselho e reclamando, mais uma vez, o sufrágio político para a mulher portuguesa.

Foi lido um honroso convite da Aliança Internacional pelo Sufrágio da Mulher para que o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas se faça representar no próximo congresso feminista de Paris. Foi escolhida a Dr.ª Adelaide Cabete para tomar parte na referida assembleia feminista como delegada do Conselho ou presidente da delegação caso vá mais alguma senhora.

Tendo sido ventilado a questão das touradas como espectáculos perniciosos à educação do povo, resolveu-se intensificar a propaganda contra tais espectáculos bárbaros, há tempos iniciada.

Entrando-se na ordem do dia foram lidos os relatórios da Direcção, da Secção de Moral, da Tesoureira do Conselho e Tesoureira da Alma Feminina que foram aprovados, bem assim um voto de louvor à imprensa pelo bom acolhimento feito ao Conselho e uma saudação ao Dr. Arnaldo Brazão pela sua intensa propaganda abolicionista.

Entrando-se na segunda parte da ordem do dia, eleições, deram o seguinte resultado:

Direcção: Presidente, Dr.ª Adelaide Cabete; Vice-presidente, Dr.ª Aurora de Castro e Gouveia; Secretária do exterior, M. elle Antónia Laclaud; Secretária do interior, D. Domingas Amaral; Secretária das actas, D. Albertina Gamboa; Secretária arquivista, D. Irene Duarte; Tesoureira, D. Vitória Pais Madeira; Vogais, D. Cipriana Nogueira, D. Sara Schultz, D. Josefina Ribeiro, D. Caetana de Almeida, D. Fernanda Pimentel, D. Rita da Silva, D. Benedita de Sá, D. Ema Rua, D. Madalena Cândido, D. Maria José Ramos de Sousa, D. Mariana Silva.

Assembleia-geral: Presidente, D. Berta Garção; Vice-presidente, D. Maria O’Neill; 1.ª secretária, D. Maria Leonarda Costa; 2.ª secretária, D. Dina dos Santos Lima; Suplentes: D. Maria do Céu Branquinho, D. Rolanda Figueiredo e D. Aurora Fernandes.

Conselho Fiscal: Presidente, D. Elisa dos Santos Lima; Vogais: D. Celeste Moniz, D. Luísa Gouveia Pinto, D. Ofélia de Carvalho e D. Maria Ferraz.

Comissões: Educação: D. Deolinda Lopes Vieira; Assistência Social: D. Maria O’Neill; Moral: D. Angélica Porto; Finanças: D. Elisa Lima; Higiene: Dr.ª Célia Leite; Beneficência: D. Rosa Pereira; Propaganda: D. Vitória Pais; Sufrágio: D. Sara Beirão; Imprensa: Dr.ª Adelaide Cabete; Legislação: Dr.ª Elina Guimarães; Emigração e imigração: D. Rosalina Simões."

[Alma Feminina, n.º 1, 1.º trimestre de 1926, p. 8]

[0288.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [X] || 27/12/1923

* 27 DE DEZEMBRO DE 1923 *

Realiza-se, no dia 27 de Dezembro de 1923, a assembleia-geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas para aprovação das contas, leitura dos relatórios e eleição dos novos corpos gerentes:

"Assembleia geral do C.N.M.P.


No dia 27 de Dezembro realizou-se a assembleia-geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, para aprovação de contas, leitura de relatórios e eleições.

As contas apresentadas pelas tesoureiras sr.as D. Elisa Lima e D. Maria Céu Branquinho foram aprovadas, tendo sido deliberado elevar as quotas para 10$00 por ano, 5$00 por semestre e 2$50 por trimestre, e o preço dos anúncios, pelos grandes encargos que traz a publicação da Alma Feminina.

Em seguida procedeu-se à leitura dos relatórios pelas sr.as D. Angélica Porto, presidente da secção de moral, Dr.ª Adelaide Cabete, presidente da secção de imprensa, D. Domingas L. Amaral, secretária do interior, que foram aprovados.

Por proposta da direcção foram votados, por unanimidade, votos de louvor e saudação ao benemérito amigo da instrução sr. Gomes de Carvalho, e à imprensa de Lisboa pela maneira como sempre tem acolhido o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

A falta de espaço com [que] lutamos não nos permite fazer a publicação dos relatórios como no ano passado, mas as nossas consócias relevarão esta falta por nós cometida pela força das circunstâncias.

Os relatórios estão, contudo, na sede do Conselho para serem consultados por quem o desejar.

Em seguida procedeu-se às eleições dos corpos gerentes e presidentes de secções que deram o resultado seguinte:

Direcção – Dr.ª Adelaide Cabete, D. Maria da Luz Pereira e Silva, D. Maria Emília Baptista Ferreira, D. Domingas L. Amaral, D. Dinah dos Santos Lima, dr.ª Laura Côrte Real, D. Antónia La Claud, D. Elisa Lima, D. Albertina Gamboa, D. Josefina Ribeiro, D. Rita da Silva, D. Cipriana Nogueira, D. Amélia Trigueiros, D. Maria Benedita de Sá, D. Eulália Lino da Silva e D. Irene Duarte.

Assembleia-geral – D. Vitória Pais Madeira, D. Maria Amália Baptista Ferreira, D. Berta Garção, D. Sarah Schultze, D. Ofélia Gonçalves, D. Regina Santos e D. Maria do Céu Branquinho.

Conselho fiscal – D. Persina de Vasconcelos, D. Maria Emília Gonçalves, D. Etelvina Silva e D. Luísa dos Santos.

Comissões permanentes – Higiene, dr.ª Adelaide Cabete; legislação, dr.ª Aurora de Castro e Gouveia; educação, D. Deolinda Lopes Vieira; moral, D. Angélica Porto; assistência e trabalho, D. Maria O’Neill; paz e arbitragem, D. Adelaide Carvalho; imprensa, D. Adelaide Cabete; emigração, D. Rosalina Simões; sufrágio, D. Fábia Ochôa; ligas de bondade, D. Maria O’Neill; biblioteca, D. Ema Rua; beneficência, D. Rosa Pereira."

[Alma Feminina, n.º 1 e 2, Janeiro e Fevereiro de 1924, pp. 7-8]

[0287.] Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[27.12.1910]

Uma comissão da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas apresenta, no dia 27 de Dezembro de 1910, um protesto à Junta do Crédito Público, por esta só admitir senhoras com menos de 25 anos de idade e preferir órfãs de empregados civis.

[0286.] DICIONÁRIO NO FEMININO [XXIV] || LETRA V

* LETRA - V *



Valentina Coelho Esteves
Vera Bordalo Pinheiro
Veritas
Vert-rouge
Veva de Lima
v. Genoveva de Lima Mayer Ulrich
Vicência Alves
Vicência Pereira de Vasconcelos
Vicenta du Testre Soares de Albergaria Pereira
Vida Elegante (A)
Vida Feminina
Violante Lopes Montanha
Violeta
Violeta
Violeta (A)
Violette Teixeira Cardoso
Virgínia Bordalo Pinheiro Lopes de Mendonça
Virgínia Brasília Moreira Ventura de Lima Vilar
Virgínia C. Silva
Virgínia da Conceição Silva Águas
Virgínia da Fonseca
v. Maria Virgínia Teixeira de Sousa Adão da Fonseca
Virgínia da Piedade Faro
Virgínia de Almeida Braga
Virgínia de Castro e Almeida
Virgínia Dias
Virgínia dos Santos
Virgínia Faria de Moura
Virgínia Faria Gersão
Virgínia Ferreira
Virgínia Franco da Silva
Virgínia Gersão
v. Virgínia Faria Gersão
Virgínia Lima
Virgínia Lopes de Mendonça
v. Virgínia Bordalo Pinheiro Lopes de Mendonça
Virgínia Nuno Vilar
v. Virgínia Brasília Moreira Ventura de Lima Vilar
Virgínia Perolina da Costa
Virgínia Perry Vidal Pereira Bastos
Virgínia Quaresma
v. Virgínia Sofia Guerra Quaresma
Virgínia Reis
Virgínia Rodrigues Gaspar
Virgínia Sequeira
Virgínia Silva
Virgínia Sofia Guerra Quaresma
Virgínia Teixeira
Virgínia Vila Nova de Sousa Vitorino
Virgínia Vitorino
v. Virgínia Vila Nova de Sousa Vitorino
Viscondessa da Ribeira Brava
Viscondessa de Olivã
Viscondessa de Pedralva
Viscondessa de S. Caetano
v. Eugénia Nunes Vizeu
Viscondessa dos Olivais
v. Maria Rosa da Veiga Araújo
Viscondessa Faria Pinho
v. Elisa Curado de Faria Pinho
Vitória Baptista de Sousa Ribeiro Gomes
Vitória da Conceição Ferreira da Silva
Vitória Pais Freire de Andrade Madeira
Vitória Rodrigues
Voz Feminina (A)

domingo, 26 de dezembro de 2010

[0285.] ANTÓNIA DE JESUS DA SILVA [I] || GRUPO DAS TREZE [VII]

* GRUPO DAS TREZE || 1911 *

Antónia da Silva militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, onde foi das activistas mais dinâmicas entre 1909 e 1915, quando a abandonou e participou na criação da Associação Feminina de Propaganda Democrática.

A sua disponibilidade e voluntarismo contribuiu para  que estivesse associada à maioria dos eventos levados a cabo nessa meia dúzia de anos e se convertesse num dos nomes históricos que permitiu a sobrevivência e visibilidade da Liga nos períodos mais adversos.

Fez parte da delegação que, em 20 de Outubro de 1910, cumprimentou o Presidente do Governo Provisório da República [Teófilo Braga]; integrou o Grupo das Treze; desempenhou os cargos de 2.ª Vogal (1910, 1911) e 1.ª Vogal (1912) da Direcção da LRMP; ofereceu-se, em Setembro de 1911, para prestar serviço de enfermagem em Lisboa; e colaborou na confecção de agasalhos para os soldados portugueses mobilizados (1914).

Vogal da Obra Maternal, tendo-a também abandonado em 1915, fez parte da delegação que, em 7 de Janeiro de 1911, conferenciou com o ministro da Justiça, Afonso Costa, sobre a protecção à infância e o combate à mendicidade.

A intervenção associativa e política continuou, a partir do último trimestre de 1915, na Associação Feminina de Propaganda Democrática (1915-1916), liderada por Maria Veleda, com quem muito se identificava.

O último número da revista A Mulher e a Criança insere a fotografia de conjunto das 13 mulheres que constituíam o Grupo das Treze e onde se distingue a figura de Antónia da Silva.


[v. JE, "Antónia de Jesus da Silva", Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, p. 126]

[0284.] MARIA VELEDA [XIII] || GRUPO DAS TREZE [VI]

* GRUPO DAS TREZE || 1911 *

Maria Veleda na fotografia publicada na revista A Mulher e a Criança [n.º 24, Maio de 1911] aquando da constituição do Grupo das Treze.

[0283.] Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[26.12.1910]

Realiza-se no dia 26 de Dezembro de 1910 uma assembleia-geral da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, "para se apreciar a forma descortês e insultuosa como alguns republicanos têm tratado as senhoras da Liga, depois de implantada a República".

[0282.] Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[25.12.1910]

O jornal O Radical noticia a realização de diversas conferências promovidas pela LRMP:

"Questões feministas - O sufrágio feminino

Ganhando dia a dia terreno a ideia feminista, a «Liga das Mulheres Republicanas» vai promover uma série de conferências de propaganda para que seja dado voto às mulheres na nova lei eleitoral que o Governo Provisório vai promulgar.

Farão essas conferências, entre outros, os srs. dr. Sebastião de Magalhães Lima, Faustino da Fonseca, dr. Álvaro Lapa, Paulino de Oliveira, Ginestal Machado, dr. Maurício Costa, Ribeiro de Carvalho e Agostinho Fortes."

[O Radical, p. 2, col. 4]

[0281.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [XVI] || 25/12/1910

* 25 DE DEZEMBRO DE 1910 *

O jornal O Radical, de Setúbal, insere um texto de Ana de Castro Osório sobre “Enfermagem laica”, onde a escritora defende a necessidade da formação de enfermeiras para substituir as irmãs de caridade [p. 2, cols. 1-2].

[0280.] Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[25.12.1910]

O Radical, jornal de Setúbal dirigido por Paulino de Oliveira, denuncia os periódicos Intransigente, de Machado Santos, Correio da Manhã, de A. Pinheiro Chagas, Povo de Aveiro, de Homem Christo e A Palavra, dirigida pelo Conde de Samodães, pela maneira como se referem, nas suas páginas, às mulheres, principalmente às militantes da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.

[0279.] Leis da Família

[25.12.1910]
Afonso Costa

Publicam-se, a 25 de Dezembro de 1910, as Leis da Família da autoria de Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório da República.

Englobavam a Lei do Casamento e a Lei da Protecção dos Filhos e  estabeleciam que o contrato de casamento era exclusivamente civil, já não era perpétuo e a sociedade conjugal passava a basear-se na liberdade e na igualdade, ao mesmo tempo que reconhecia a capacidade judiciária da mulher e permitia a possibilidade da investigação da paternidade ilegítima.

Entre outras alterações, também foi revogado o artigo que obrigava a mulher a prestar obediência ao marido e reconhecia-se àquela o direito de publicar sem necessitar de autorização marital.

[0278.] LÍDIA DE OLIVEIRA [I] || GRUPO DAS TREZE [V]

* GRUPO DAS TREZE || 1911 *


Filha de Filipa Vilhena de Oliveira e de Luís de Oliveira e neta de Luís de Oliveira Viana, Lídia do Patrocínio Solano de Oliveira foi aluna de Maria Veleda no Centro Escolar Afonso Costa (1907) e começou a participar muito nova nas actividades da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (teria 16 anos em 1912).

Fez parte do Grupo das Treze, integrou o Grupo Dramático, representou nos saraus promovidos em benefício da Obra Maternal e, apesar da idade, secretariou reuniões e pertenceu aos corpos gerentes da Liga (1913, 1915, 1916) e da Obra (1914, 1915).

Participou na campanha a favor da anulação, pelo Parlamento, do direito de fiança aos violadores de menores (1913), interveio nas comemorações do 5.º aniversário da colectividade (05/05/1914), opinou no plebiscito interno de Dezembro de 1914 e integrou a comissão organizadora do bando precatório a favor das famílias das vítimas da revolução de Maio de 1915.

Deveu-se ao empenho e responsabilidade de Lídia de Oliveira a concretização de inúmeras actividades num período em que já era visível a desmobilização de parte significativa das sócias.

A intervenção estendeu-se ao Grémio Humanidade, no âmbito do qual representou, em 11 Março de 1909, o diálogo em verso Caridade e Altruísmo, de Maria Veleda.

O último número da revista A Mulher e a Criança publicou a fotografia de conjunto das 13 mulheres da Liga Republicana que formavam o Grupo das Treze e onde se distingue a figura de Lídia de Oliveira.

Manteve, durante toda a vida, a mesma paixão pelo teatro, ópera e música.

[v. JE, "Lídia do Patrocínio Solano de Oliveira", Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, pp. 512-513]

[0277.] DICIONÁRIO NO FEMININO [XXIII] || LETRA U

* LETRA - U *

 

Uma Portuense Ignota
Uma Velhinha
Umbelina Odete Salvador Santos
Umetília Olga da Cruz
União das Mulheres Socialistas
Urânia Alvarez
Usaidela (D.)
Utilidade (A)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

[0276.] DICIONÁRIO NO FEMININO [XXII] || LETRA T

* LETRA - T *

 

Tágide Tavares
v. Laura Tágide Roquete de Sequeira Tavares
Tancredo
Tardes de Verão (As)
Tecla da Conceição Correia
Telma
Teodora Marques
Teolinda Amélia Cristina Leça da Veiga
v. Manuais de Civilidade
Teresa Assis
Teresa Barbieri
v. Maria Teresa Repolho Monteiro
Teresa de Albuquerque
Teresa de Jesus Raso
Teresa de Jesus Viegas
Teresa de Morais
Teresa de Saldanha
v. Teresa Rosa Fernanda de Saldanha Oliveira e Sousa Rio Maior
Teresa Delfina Lima
Teresa Deslandes
Teresa Emília Marques Leitão de Barros
Teresa Fagim da Silva
Teresa Franco
Teresa Leitão de Barros
v. Teresa Emília Marques Leitão de Barros
Teresa Lino da Silva
Teresa Lobo
Teresa Malheiro e Mello Baiona
v. Manuais de Civilidade
Teresa Maria de Carvalho
Teresa Mourão Ferreira
Teresa Oliveira David Teixeira de Queirós
Teresa Rosa de Jesus
Teresa Rosa Fernanda de Saldanha Oliveira e Sousa Rio Maior
Tesoura (A)
Tetralda Teixeira de Lemos
Tia Luísa
Tia Margarida
Tia Maria Lúcia
Tião
Tibaldina R. Mota
Tom Pouce
Tomázia de Moura Carvalho
Tomázia Josefina Henriques Perdigão
Tomázia Vaz Serra
Tricana
Trindade Gama Matutino

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

[0275.] O Congresso Republicano de Setúbal

[18.04.2009]
- Colóquio -


[0274.] ALICE MODERNO [IV] || 1910

* SAUDAÇÃO [À REPÚBLICA] || 1910 *
[Almanaque d'O Mundo para 1911]

[0273.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [IX] || 1947 - CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO NA SNBA

* CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS *

|| EXPOSIÇÃO DE LIVROS NA SNBA EM JANEIRO DE 1947 || 



[Biblioteca de Glória Marreiros e Henrique Cunha]

[0272.] MARIA REYNOLDS DE SOUZA [I]

[2006]
* A LUTA PELO VOTO: DE 1822 A 1976 *
[Colecção Fio de Ariana N.º 3]

[0271.] ARNALDO BRAZÃO [III]

[30.12.1890 - 10.03.1968]

Oficial do Exército (Administração Militar), advogado, magistrado, professor liceal e docente na Escola Superior Colonial, era sobrinho de Adelaide Cabete.

Nasceu em Elvas, a 30 de Dezembro de 1890, e foi profundamente influenciado pelas ideias republicanas e feministas da tia, que o criou, tendo ambos partilhado de forma continuada iniciativas e projectos.

Quando ainda não tinha 20 anos, iniciou colaboração na imprensa feminista, na revista A Mulher e a Criança, com pequenas notas biográficas sobre “alguns vultos notáveis da nossa história”, de modo a dar a “conhecer à mulher e à criança quais foram as pessoas que se esforçaram pelo bom nome de Portugal, tanto pela guerra fazendo chegar o domínio português às mais remotas paragens, como pelas letras e virtudes cívicas” [n.º 6].

Encetou a secção com o Marquês de Pombal e data de então a sua iniciação na Maçonaria (1910), com o nome simbólico de Spartaco.

Ao mesmo tempo que cursava Direito, estendeu a colaboração à revista Alma Feminina, órgão do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde se pronunciou sobre as temáticas do feminismo, da prostituição e da protecção às crianças e aos menores delinquentes.

Já advogado, com escritório no mesmo edifício do de Adelaide Cabete, na Praça dos Restauradores, desempenhou as funções de Secretário do Interior da comissão directora da Liga de Bondade, iniciativa do CNMP em 1923 e, no ano seguinte, foi o Secretário Geral da comissão organizadora do Primeiro Congresso Feminista e de Educação.

É da sua autoria o relatório minucioso sobre este evento, publicado em 1925 pelas Edições Spartacus.

Devoto do pensamento e acção de Josefina Butler, desenvolveu, durante a década de vinte, intensa campanha pela abolição da prostituição regulamentada ou oficial e, enquanto Presidente da Liga Portuguesa Abolicionista, promoveu a realização dos dois Congressos Abolicionistas (1926 e 1929).

O primeiro Congresso Abolicionista Português realizou-se em 1926, de 1 a 5 de Agosto, sendo a sessão inaugural presidida por J. Reelfs, da Federação Internacional Abolicionista, e teve como tema de debate o combate à prostituição, considerada o maior problema social e moral que afligia a sociedade, e a denúncia da respectiva regulamentação pelo Estado.

Nele, Arnaldo Brazão apresentou a tese Abolição do registo policial das meretrizes, onde defendeu que a prostituição não era nem um mal necessário, nem um delito, não devendo ser considerada como modo de vida reconhecido pelo Estado, denunciando-o como o seu principal agente ao passar as licenças e alvarás para o funcionamento das casas de tolerância, a troco do pagamento de emolumentos, perpetuando a exploração e desenvolvimento da chamada escravatura branca. Também os seus regulamentos não eram justificáveis, nem como medida de profilaxia, nem por razões de segurança e salvaguarda da saúde pública, porque ineficazes, representando ainda uma afronta à dignidade humana ao tornarem-se em instrumentos arbitrários de controlo e perseguição de mulheres indefesas.

Arnaldo Brazão invocou sistematicamente opiniões médicas favoráveis ao abolicionismo, como o higienista dr. Ricardo Jorge, e exigiu dos governos da República uma reformulação da legislação, até porque “jamais um regimen democrático poderá apregoar a pureza dos seus princípios enquanto o meretrício for instituição nacional e dele sejam cobradas avultadas quantias” [Alma Feminina, nº 4, 1926, p. 32].

Em Setembro de 1927, representou, pela primeira vez, Portugal no Congresso da Federação Internacional Abolicionista, que decorreu em Anvers, com a tese “A Prostituição Infantil em Portugal” e, em 1930, a revista Alma Feminina publicou um texto de Angélica Porto dedicado à sua campanha a favor do abolicionismo.

Quando a tia partiu repentinamente para Angola, em 1929, Arnaldo Brazão acompanhou-a.

Manteve regular colaboração na imprensa, com artigos sobre a educação da mulher e a prostituição.  

Pertenceu à Liga dos Direitos do Homem, juntamente com Magalhães Lima e Luz de Almeida.

Faleceu em Lisboa a 10 de Março de 1968.

[0270.] ARNALDO BRAZÃO [II]

[23.12.1927]

Arnaldo Brazão publica no jornal O Rebate um artigo sobre “Feminismo e Abolicionismo” [p. 4, col. 1].

[0269.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [VIII] || 23/12/1920

* 23 DE DEZEMBRO DE 1920 *

Realiza-se a 23 de Dezembro de 1920 a assembleia-geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, para discussão dos relatórios e contas e eleição dos novos corpos gerentes. É presidida por Persina de Vasconcelos, secretariada por Ema Rua e Cipriana Nogueira:

"Assembleia geral


Em 23 de dezembro último realizou-se a assembleia do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas para apreciação dos relatórios, contas e eleições dos novos corpos gerentes.

Foi aberta a sessão, pouco depois das 21 horas, tendo tomado a presidência a sr.ª D. Persina de Vasconcelos, secretariada pelas sr.as D. Ema Rua e D. Cipriana Nogueira.

Antes da ordem da noite e por proposta da Direcção foram aprovadas sócias honorárias M.me Chaponniére-Chaix, actual presidente do International Council of Women, Marquesa de Aberdeen ex-presidente, que durante 20 anos presidiu aos destinos do mesmo Conselho Internacional e M.me Avril de Sainte-Croix, actual vice-presidente do International Council of Women e que há 6 anos auxiliara eficazmente a organização do Conselho Internacional das Mulheres Portuguesas, facilitando-nos todos os trabalhos para o nosso ingresso na grande associação internacional. Esta proposta foi aprovada por aclamação.

Outras propostas foram apresentadas que, pela sua latitude não puderam ser apreciadas nesta sessão, ficando resolvido serem presentes à Direcção.

Entrando-se na ordem da noite procedeu-se à leitura dos relatórios e contas que foram aprovados.

Em seguida procedeu-se às eleições que deram o seguinte resultado:

Direcção
Presidente – Dr.ª Adelaide Cabete.
Vice-presidentes – D. Maria Clara Correia Alves, D. Maria da Luz Pereira e Silva.
Secretária do interior – D. Aurora Fernandes.
Secretária do exterior – Dr.ª Aurora Gouveia.
Tesoureira – D. Elisa Lima.
Vogais – D. Cipriana Nogueira, D. Ema Rua, D. Angélica Porto, D. Josefina Ribeiro e D. Fábia Arez.

Assembleia-Geral
Presidente – D. Persina de Vasconcelos.
Vice-presidente – D. Maria Amália Ferreira.
1.ª secretária –D. Maria Amaro.
2.ª secretária – D. Marta Ferreira.
Suplentes – D. Amélia Köpke, D. Guilhermina Köpke e D. Domingas L. Amaral.

Conselho Fiscal
Presidente – D. Adelaide Carvalho.
Vogais – D. Vitória Pais e D. Maria Leonarda Correia.

Comissão de Educação e Propaganda
D. Albertina Gamboa, D. Otília Rua e D. Maria Emília Ferreira.

Comissão de Beneficência
D. Maria Simões Torres, D. Angélica Porto e D. Maria[na] da Assunção Silva.

Comissão Jornalística
Dr.ª Adelaide Cabete, D. Cipriana Nogueira e D. Ema Rua.»

[Alma Feminina, n.º 3 e 4, Março e Abril de 1921, pp. 17-18]