[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 26 de março de 2010

[0046.] ASSOCIAÇÃO FEMININA DE PROPAGANDA DEMOCRÁTICA [I] || 26/03/1916

* BERNARDINO MACHADO *

Em 26 de Março de 1916, a Associação Feminina de Propaganda Democrática convida as associadas a participarem na manifestação promovida em honra do Presidente da República pelo Grémio da Mocidade Republicana Radical.

[0045.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [IX] || 26/03/1912

* HOMENAGEM A TEÓFILO BRAGA *

Em 26 de Março de 1912, uma comissão da LRMP participa na récita da gala organizada  no Teatro da República em honra de Teófilo Braga.

[0044.] MARIA VELEDA [IV] || 26/03/1911

* LEI ELEITORAL DA REPÚBLICA *

Reflexão de Maria Veleda, na "Tribuna Feminina" do jornal O Tempo [26/03/1911, p. 3, cols. 1-2], sobre a primeira lei eleitoral da República. 

Tece considerações críticas sobre Madeleine Pelletier e assume-se como contrária ao sufragismo.

[0043.] MARIA CLARA CORREIA ALVES [I] || 26/03/1911

* GRÉMIO LUSITANO *

[1869 - 02.02.1948]

Maria Clara Correia Alves integra o núcleo de oradores da sessão do Grémio Lusitano, em honra do Governo Provisório da República e da promulgação da Lei do Registo Civil obrigatório, tendo abordado o "papel da mulher na família, agradecendo ao sr. dr. Afonso Costa tudo quanto tem feito a favor do seu sexo". 

Realizada a  26 de Março de 1911, é presidida por Magalhães Lima, Grão-Mestre da Maçonaria.

[0042.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [VIII] || 26/03/1911

A LRMP é convidada a participar na festa de homenagem a Almirante Reis e Miguel Bombarda, organizada, neste dia, no Coliseu dos Recreios pela Associação do Registo Civil.

[0041.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [VII] || DIVÓRCIO / 26/03/1909

* DIVÓRCIO *

A LRMP começa a distribuir as listas a pedir a discussão da Lei do Divórcio no Parlamento.

"Liga Republicana das Mulheres Portuguesas


Começaram a ser distribuídas as folhas destinadas a colher assinaturas para a representação ao parlamento, pedindo a discussão da lei do divórcio, promovida por esta Liga.
Quem quiser auxiliar esta propaganda, que não tem carácter político, e sim um acto de moralidade social, pode requisitar os impressos na sede provisória da Liga, Rua do Ouro, 266, 2.º E.
Encontram-se as folhas para recolher assinaturas, nos seguintes:
Sede da Liga; Livraria Central, Gomes de Carvalho, Rua da Prata; Biblioteca de Educação Nacional, Abel d’Almeida, R. do Alecrim, 80; Livraria Editora, Guimarães & C.ª, Rua de S. Roque, 68-70; Camisaria Coelho, Rua Augusta, 260; Farmácia Normal, Rua da Prata, 220; Drogaria Correia, Rua de S. Joaquim, ao Calvário, 77; Farmácia Conceição Rocha, Rua Luís de Camões, a Santo Amaro; Casa A. Ferreira, Rua da Junqueira, 227, Papelaria Bécarre, Rua Nova do Almada."
[A República, 26/03/1909, p. 2, col. 1]

quinta-feira, 25 de março de 2010

[0040.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [III] || 25/03/1917

* ASSEMBLEIA-GERAL *

Assembleia geral do CNMP de 25 de Março de 1917, procedendo-se à eleição dos novos corpos gerentes: Adelaide Cabete - Presidente da Direcção; Regina Quintanilha – Presidente da Assembleia Geral; Persina Vasconcelos – Presidente do Conselho Fiscal.

[0039.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [II] || 25/03/1916

* ASSEMBLEIA-GERAL *

Realiza-se em 25 de Março de 1916 a assembleia geral do CNMP, presidida por Claudina de Almeida e secretariada por Maria Brasão e Maria Emília Baptista Ferreira.

"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas


Reuniu, sob a presidência da sr.ª D. Claudina de Almeida, secretariada pelas sr.as D. Maria Brasão e D. Maria Emília Baptista Ferreira, a assembleia geral deste Conselho.
Lida a acta da sessão última e o expediente, donde se destacava uma carta da sr.ª D. Adelaide Cabete explicando a sua ausência, e um telegrama da distinta advogada D. Regina de Quintanilha, foi apresentada, pela sr.ª D. Cândida de Aguilar Santos, uma proposta para a formação duma comissão de senhoras, com o fim de prestar assistência às crianças das escolas infantis, sendo prefe-ridos os filhos dos mobilizados. Foi aprovada por unanimidade.
A secretária-geral Maria Clara Correia Alves felicita-se por ver partir do Conselho uma iniciativa tão nobre e altruísta e põe desde logo seu préstimo ao serviço dessa ideia. Pela sr.ª D. Persina de Vasconcelos foi proposto que se lançasse na acta um voto de sentimento pela doença do sócio honorário sr. Dr. Magalhães Lima.
Em seguida a secretária geral lê o relatório anual da comissão administrativa. Antes, porém, faz largas con-siderações acerca do desenvolvimento do Conselho, apontando as dificuldades imensas que tem sido preciso vencer. Confronta o que aqui se passa com o que se faz, lá fora, nas instituições congéneres, manifestando a sua mágoa profunda.
A propósito cita que numa revista inglesa recebida nesse mesmo dia se eleva o nosso iletrismo feminino a 98,6! Como se os 80% nos não bastassem! Depois de ler ainda a conta da receita e despesa do ano de 1915, dá notícia da despedida justificada da tesoureira sr.ª D. Aurora Silva e propõe para a substituir, até se realizarem as novas eleições, a sr.ª D. Maria Amália Baptista Ferreira, que, gentilmente, aceitou o encargo, tomando logo conta da escrituração e saldo existente. Lido depois o balancete do último trimestre, usaram ainda da palavra algumas sócias, sendo em seguida encerrados os trabalhos, às 22 horas e meia."

[Boletim Oficial do CNMP, n.º 6, Maio de 1916, p. 71]

[0038.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO [I] || MARIA VELEDA [III]

* CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO *

O jornal A Capital publica em 25 de Março de 1911 uma entrevista com a médica Carolina Beatriz Ângelo.

[0037.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [VI] || 24/03/1912

* HOMENAGEM A TEÓFILO BRAGA || 1912 *

A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas associa-se à homenagem nacional a Teófilo Braga, fazendo parte da comissão organizadora, juntamente com o Centro Escolar Republicano Magalhães Lima. 

Integra-se no cortejo cívico e realiza uma festa infantil no Jardim da Estrela.

[0036.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [VI] || 24/03/1908

Texto de Ana de Castro Osório no jornal A República de 24 de Março de 1908: “Por Alto” [p. 2].

[0035.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [V]

[18.06.1872-23.03.1935]

Morre, em Lisboa, a escritora Ana de Castro Osório.

Escritora, editora, pedagoga, publicista, republicana e feminista, nasceu em Mangualde, em 18 de Junho de 1872, e faleceu em Lisboa, a 23 de Março de 1935, com 62 anos de idade. 

Marcou as primeiras três décadas do século XX, fruto duma ininterrupta e intensa actividade literária, cívica, política e feminista.

Filha do juiz e bibliófilo João Baptista de Castro e de Mariana Osório de Castro Cabral e Albuquerque, Ana de Castro Osório foi influenciada pelo ambiente cultural, histórico e socioeconómico em que cresceu, tratando-se duma família que cultivava os laços entre os seus membros e onde se discutiam as questões de forma aberta e frontal, como prova a correspondência trocada entre todos durante dezenas de anos.

Acompanhando os pais, passou a residir em Setúbal em 1895, cidade onde assumiu a condição de escritora quando tinha 23 anos e casou, em 10 de Março de 1898, na Igreja de Nossa Senhora da Anunciada, com o poeta e republicano Francisco Paulino Gomes de Oliveira (22/06/1864-13/03/1914). 

Do enlace, nasceram João de Castro Osório e Oliveira (1899-1970), que desde muito novo revelou vocação para as letras, destacou-se como doutrinador político conservador na década de 20, e José Osório de Castro e Oliveira (27/08/1900-1964), escritor que casou com a cantora lírica Raquel Bastos. Embora filhos de destacados republicanos, ambos estiveram associados ao Manifesto Nacionalista de 1919 e, em 1922, João de Castro Osório publicou A Revolução Nacionalista.

O interesse literário de Ana de Castro Osório intensificou-se com o convívio quotidiano de alguém com quem partilhava os mesmos interesses culturais e colaborou com o marido em diversas actividades, iniciativas e negócios. O ambiente familiar tornou-se propício à actividade intelectual e, por isso, lutou para que as outras mulheres usufruíssem das mesmas condições, fruto de uma educação privilegiada para a época, pugnando, tanto nos escritos, como na actividade associativa, pela emancipação social e económica das mulheres. Escreveu muito. Publicou e distribuiu gratuitamente centenas de exemplares dos folhetos genericamente intitulados A Bem da Pátria, nomeadamente As mães devem amamentar seus filhos e A educação da criança pela mãe.

Identificada como uma das fundadoras da literatura infantil em Portugal, e por não ter encontrado editor, publicou-a à sua custa mediante a criação da Casa Editora Para as Crianças: responsabilizou-se por todos os encargos editoriais e assumiu as tarefas relacionadas com a venda e distribuição dos contos e histórias para os mais pequenos. Posteriormente, fundou as Edições Lusitânia. Diversos livros seus foram adoptados como manuais escolares, quer em Portugal, como em estados do Brasil: A Minha Pátria (1906); Viagens Aventurosas de Felício e Felizarda ao Brasil.

Fundadora da Escola Liberal de Setúbal e maçon desde 1907, integrando a Loja Humanidade, Ana de Castro Osório foi igualmente uma das impulsionadoras do associativismo feminista, ao promover, em meia dúzia de anos, a criação do Grupo Português de Estudos Feministas (1907), da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1908) e da Associação de Propaganda Feminista (1911). Com o deflagrar da I Guerra, criou a Comissão Feminina Pela Pátria (1914), destinada a trabalhar a favor dos soldados mobilizados e suas famílias; fundou a loja maçónica feminina Carolina Ângelo (1915); e organizou a Cruzada das Mulheres Portuguesas, iniciativa de Elzira Dantas Machado (1916). Na batalha pela implantação da República, escreveu amiudadamente na imprensa diária, proferiu conferências, participou em comícios e secretariou eventos e sessões solenes. Empenhou-se, em 1909 e 1910, na obtenção da Lei do Divórcio e terá sido consultada por Afonso Costa quando este a concretizou em 3 de Novembro de 1910.

Em 1911, aquando da nomeação de Paulino de Oliveira como Cônsul de Portugal em São Paulo, passou a residir no Brasil, onde se manteve até à morte do marido, em 13 de Março de 1914, vitimado pela tuberculose. Aí manteve-se uma intransigente defensora da República, o que originou polémicas com membros da comunidade portuguesa, continuou empenhada na divulgação dos ideais feministas, bem como da sua literatura, e participou, com o esposo, no Congresso de Instrução Pública de Belo Horizonte.

De regresso a Portugal, fixou residência em Lisboa, no prédio onde vivia a família, na Rua do Arco do Limoeiro, que rapidamente se transformou na sede das actividades desenvolvidas por Ana de Castro Osório enquanto feminista, escritora e activista da Cruzada das Mulheres Portuguesas. Aliás, revelou-se, desde 1914, uma convicta defensora da intervenção de Portugal no conflito mundial: escreveu amiudadamente sobre ele e procurou reunir a elite feminina de todo o país em torno desse desígnio patriótico.

O carisma e relevância intelectual levaram a que fosse escolhida como delegada da Câmara Municipal de Cuba ao Congresso Municipalista de Évora (1915), onde apresentou a Tese “A Mulher na Agricultura, nas Indústrias Regionais e na Administração Municipal”.

No ano seguinte, foi nomeada pelo Ministro do Trabalho, António Maria da Silva, Subinspectora dos Trabalhos Técnicos Feminino, único desempenho que se lhe conhece atribuído pelos governos republicanos: apesar de ter sido contestada pela associação de classe das costureiras, numa polémica em torno da aplicação da legislação sobre os serões, aproveitou para incentivar as pequenas indústrias caseiras e regionais de rendas, tapetes e doces.

Recusou ser condecorada com a Ordem de Santiago, atribuída pelo governo da República em 1919, mas aceitaria, já durante o Estado Novo, ser condecorada com a Ordem de Mérito Agrícola e Industrial. A década de vinte é sobretudo marcada pela sua vontade de se afirmar como escritora reconhecida a nível nacional e no Brasil, regressando a este país em 1922 para proferir uma série de conferências no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Reuniu-as em 1924 no livro A Grande Aliança, título demonstrativo do sonho antigo de concretizar a aproximação cultural entre os dois países separados pelo Atlântico.

Deixou centenas de artigos espalhados pela imprensa de todo o país e chegou a acalentar o desejo de se tornar numa colaboradora paga dum grande jornal diário, tendo-o confidenciado a seu pai no início do século XX. Colaborou em dezenas de periódicos.

Quando faleceu, morava na Rua Augusto Rosa, 17, 2.º, onde alternava com a residência do Estoril. Enterrada no jazigo de família, no cemitério do Alto de S. João, associaram-se à última homenagem personalidades políticas do regime, militares (general Ferreira Martins, comandante Jaime Athias, general Luiz Domingues, tenente-coronel Marcelino Afonso, capitão Osvaldo de Andrade, general Vieira da Rocha), intelectuais, homens de letras (Aquilino Ribeiro, Carlos Lemos, viúvo da feminista Beatriz Pinheiro de Lemos, Fernando Pessoa, Hernâni Cidade, João de Barros), das artes e da ciência, assim como antigas companheiras dos combates feministas, das lides jornalísticas e do mundo da escrita e das tertúlias. Entre estas, destacavam-se Albertina Paraíso, Amélia Teixeira, dinamizadora da revista Portugal Feminino, Beatriz Arnaut, poetisa e activista do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Eduarda Lapa, Elmana Trigo de Brito, professora de música e companheira na Liga e na Associação de Propaganda Feminista, Emília de Sousa Costa, Fernanda de Castro, Maria Pereira de Eça, Maria Veleda, Regina Quintanilha, a primeira advogada portuguesa, Teresa Leitão de Barros, então escritora destacada e dirigente do CNMP, e Virgínia Quaresma, a primeira jornalista profissional portuguesa, que tinha colaborado estreitamente com a falecida na Sociedade Futura e na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.

Participaram igualmente representantes da Cruzada das Mulheres Portuguesas e da Liga dos Combatentes da Grande Guerra – aliás, o papel desenvolvido pela escritora durante o conflito mundial que decorreu entre 1914 e 1918 foi reconhecido com a inauguração na sede desta última de um busto de Ana de Castro Osório. Dirigiu o funeral Hermínio do Nascimento e as palavras derradeiras couberam ao professor Simões Raposo e à advogada Regina Quintanilha, em nome da Cruzada das Mulheres Portuguesas.

Sobre a sua vertente enquanto escritora para crianças, educadora e pedagoga, ver a entrada do Dicionário de Educadores Portugueses, editado pela ASA (2003) sob a direcção de António Nóvoa.

[v. João Esteves, "Ana de Castro Osório", Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Lisboa, Livros Horizonte, 2005, pp. 91-99]

[0034.] ADELAIDE CABETE [II] || 23/03/1925

* CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS *

Portaria do Ministro do Trabalho, Sampaio e Maia, que reconhece Adelaide Cabete como representante do Governo português no Congresso Internacional Feminista de Washington, organizado pela ICW.

[0033.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [I] || 23/03/1918

A assembleia-geral de 23 de Março de 1918 do CNMP não se realiza, por falta de quórum. Fica adiada para o dia 6 de Abril.

[0032.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [IV] || 23/03/1917

* O MOVIMENTO FEMININO *

Artigo de Ana de Castro Osório em O Mundo datado de 23 de Março de 1917: “O movimento feminino” [p. 1, cols. 8-9].

[0031.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [V] || 23/03/1911


O Mundo informa que a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas tenciona agradecer ao ministro do Interior e ao director geral de instrução secundária, superior e especial a nomeação de duas senhoras para a Biblioteca Nacional de Lisboa.

[0030.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [IV] || 23/03/1911

* REVISÃO DOS ESTATUTOS || CAIXA GERAL DO TRABALHO *

Assembleia geral extraordinária da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas para modificação dos Estatutos, sendo abolido, por 107 votos contra 60, o art.º 11 dos antigos Estatutos e § único do 3.º ponto do art.º 20.º do novo regulamento. 

É nomeada uma comissão, composta por Antónia de Jesus da Silva, Berta Vilar Coelho, Maria Adelaide Costa, Maria Gil do Nascimento e Maria Veleda, a fim de organizar uma Caixa Geral do Trabalho, destinada aos operários.

[0029.] DIVÓRCIO [I] || 23/03/1910


O “Jornal da Mulher” pronuncia-se em 23 de Março de 1910 sobre “O clero e o divórcio” [O Mundo, p. 5, cols. 1-7].

[0028.] MARIA DA SILVEIRA [I]

* PRESA POLÍTICA *

Detida, em 22 de Março de 1932, pela Polícia Política. 

Filha de Rosa Pereira e de Joaquim da Silveira, nasceu em 1882, na Covilhã. 

Divorciada, com 50 anos e residência na Rua Jardim do Regedor, foi presa para averiguações pela Polícia Internacional Portuguesa em 22 de Março de 1932, por viver maritalmente com Júlio César Leitão e acompanhá-lo no momento da detenção deste barbeiro, que tinha trazido do Brasil métodos conspirativos e integrava o restrito núcleo dirigente do Partido Comunista. 

Libertada no dia seguinte, porque “no seu auto de declarações não se fez prova de que tivesse qualquer cumplicidade nos manejos comunistas do seu amante”.

[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista II – 1936-1939, Mem Martins, 1982, p. 417].

[0027.] BRANCA DE GONTA COLAÇO [I]

* BRANCA EVA DE GONTA SYDER RIBEIRO COLAÇO *

[08/07/1880 - 22/03/1945]

Morre, com 64 anos de idade, a escritora Branca Eva de Gonta Syder Ribeiro Colaço.

Filha de Tomás Ribeiro e de Ann Charlotte Syder, a poetisa Branca de Gonta Colaço nasceu em Lisboa a 8 de Julho de 1880 e casou, em 1898, com o pintor Jorge Colaço.

Escritora conceituada, cujas opiniões monárquicas expressou nos periódicos O Dia e O Talassa, militou activamente no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas a partir de meados da década de 20 e colaborou na revista Alma Feminina, onde assinou textos sobre Carolina Michaëlis de Vasconcelos e Adelaide Cabete.

Presidiu, durante anos consecutivos, às Secção da Paz (1928-1934) e de Arte (1936, 1937).

Foi incluída, com obras diversificadas, na “Exposição de Livros Escritos por Mulheres”, organizada pela agremiação na Sociedade Nacional de Belas Artes em 1947. 

Tal como outras escritoras suas contemporâneas, recebeu a Ordem de Santiago de Espada. 


[Novidades, 23/03/1945]

domingo, 21 de março de 2010

[0026.] ELVIRA MENDONÇA [I]

* PRESA POLÍTICA *

Em 21 de Março de 1936 é presa, pela segunda vez, Elvira Mendonça.

Nascida em 1 de Agosto de 1883, na Póvoa de Santa Iria, foi presa duas vezes pela Polícia de Segurança Pública na década de 30, quando era viúva, acusada de “ligações comunistas”. 


Já quinquagenária, a primeira verificou-se em 13 de Fevereiro de 1936, mas foi libertada pouco depois, no dia 28; enquanto a segunda, deu-se imediatamente a seguir, a 21 de Março, donde resultou julgamento pelo Tribunal Militar Especial em 21 de Dezembro e condenação a 22 meses de prisão correccional. 

Solta em 28 de Dezembro de 1937, terá morrido poucos anos depois: José Dias Coelho, no livro A Resistência em Portugal, inscreveu o seu nome na lista daqueles que “morreram às mãos da PIDE ou em consequência das torturas” [p. 77]. 

Rose Nery Nobre de Melo inseriu a “Biografia Prisional” no livro Mulheres Portuguesas na Resistência.

[0025.] MARIA O'NEILL [I]

* MARIA DA CONCEIÇÃO INFANTE DE LACERDA PEREIRA DE EÇA CUSTANCE O’NEILL *
[19/11/1873 - 21/03/1932]

Morre em 21 de Março de 1932, no Oceano Atlântico, quando regressava do Brasil, a escritora, poetisa, conferencista e propagandista republicana, socialista, feminista e espírita Maria da Conceição Infante de Lacerda Pereira de Eça Custance O’Neill.

Filha de Carlos Torlades O’Neill e de Maria Carlota Infante de Lacerda Pereira de Eça, Maria O’Neill nasceu em Lisboa, a 19 de Novembro de 1873. 

Para além da actividade literária, tendo começado a publicar nova e com regularidade anual, da colaboração em periódicos – Actualidades, Alma Feminina, Almanaque das Senhoras (1921-1924), Bem Público, Brasil-Portugal, Correio da Europa, Espiritismo, Ilustração Portuguesa, Intransigente, Jornal da Mulher, Pensamento, Prosa e Verso, Sátira, Serões, O Soneto Neo-Latino, A Vida Elegante (1915), Zig-Zag – e de ter sido directora do Almanaque da Senhoras (1911-1925) e do Almanaque Ilustrado, não descurou a intervenção associativa, cívica e política.

Em Maio de 1919, durante o 4.º Congresso da Região do Sul do Partido Socialista, Maria O’Neill é referenciada como militante socialista: apresentou, na sessão nocturna do dia 2, a tese “A acção da mulher no socialismo”.


Tornou-se num dos nomes emblemáticos do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, evidenciando-se no início da década de 20, quando proferiu, na Associação dos Caixeiros, a conferência “A ferocidade do egoísmo” (08/05/1920). 


Escreveu regularmente na revista Alma Feminina, foi, durante anos consecutivos, Presidente da Secção Trabalho e Assistência Social (1921) e Presidente da Secção de Assistência Social (1922, 1923, 1925-1929, 1931, 1932), presidiu à comissão directora da Liga de Bondade, iniciativa promovida em 1923, fez parte das Comissões Permanentes de Assistência e Trabalho e das Ligas de Bondade (1924) e, em 1926, exerceu o cargo de Vice-Presidente da Assembleia Geral.

O seu dinamismo estendeu-se aos Congressos Feministas e Abolicionistas. Fez parte da comissão organizadora do Primeiro Congresso Feminista e de Educação (1924) e, no segundo, realizado em 1928, apresentou a tese “O voto às mulheres”.


Quanto aos Congressos Abolicionistas de 1926 e 1929, usou da palavra, em nome pessoal, na sessão inaugural (1/8/1926), interveio nos debates da 1.ª Sessão Ordinária (2/8/1926), apresentou a tese “A escravatura feminina” na 2.ª Sessão (03/08/1926) e participou nos trabalhos da Sessão de Encerramento (05/08/1926). No Segundo Congresso Nacional Abolicionista, pronunciou-se sobre “A causa primordial do não-abolicionismo”.


Enquanto oradora, interveio na festa comemorativa do aniversário do Conselho (1923), discursou, em 18 de Maio de 1927, na sessão pacifista organizada pela Secção da Paz e, em Novembro de 1928, durante a Semana da Paz, proferiu uma conferência sobre a Paz Universal. Em 14 de Junho de 1928, quando da “Semana da Criança”, pronunciou-se, na Voz do Operário, sobre “Aprender brincando”.


Tal como outras intelectuais suas contemporâneas, dedicou-se ao espiritismo e pertenceu ao Conselho Superior da Federação Espírita Portuguesa e à redacção da revista Espiritismo.


Faleceu em 21 de Março de 1932, no Oceano Atlântico, quando regressava do Brasil, aonde se deslocara para fazer a sua propaganda, tendo a revista Alma Feminina manifestado o seu pesar: “Escritora notável, poetisa de valor; é considerável a bagagem literária que legou à sua terra. Oradora distintíssima, de uma espontaneidade extraordinária, eloquente e erudita, a sua voz arrebatava as massas”. Também o Portugal Feminino se referiu ao seu desaparecimento e publicou a sua fotografia no n.º 29, de Junho de 1932. 


Usou o pseudónimo Lina Marville.

[v. João Esteves, Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, pp. 625-626]

[0024.] ALBERTO BRAMÃO [I] || 21/03/1909

* DIVÓRCIO *

Carta de Alberto Bramão sobre “O Divórcio” inserida na secção “Jornal da Mulher” de 21 de Março de 1909 [O Mundo, p. 6, cols. 1-5].

sábado, 20 de março de 2010

[0023.] PRIMAVERA [I] || 20/03/2010

Às 17h32m!

[0022.] ESCOLAS MATERNAIS [I] / ANA DE CASTRO OSÓRIO [III] / CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO BERNARDINO MACHADO [II]

O "Jornal da Mulher" de O Mundo de 20 de Março de 1907 é dedicado às Escolas Maternais [p. 4, cols. 1-4]


* ANA DE CASTRO OSÓRIO *

O periódico Vanguarda de 20 de Março de 1908 descreve a conferência realizada por Ana de Castro Osório no dia anterior

[Vanguarda, 20.03.1908, p. 2, col. 5]


* Centro Escolar Republicano Bernardino Machado || 20/03/1910 *

Sessão solene comemorativa do 4.º aniversário do Centro Republicano de Alcântara, Dr. Bernardino Machado. Ana Maria Gonçalves Dias, professora da respectiva escola, integra a mesa que preside à reunião.

sexta-feira, 19 de março de 2010

[0021.] ADELAIDE CABETE [I] || 19/03/1933

[25.01.1867-19.09.1935]

Em 19 de Março de 1933, Adelaide Cabete vota em Angola no plebiscito ao projecto da Constituição salazarista.

[0020.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [II] || 19/03/1911

Artigo de Ana de Castro Osório no jornal O Radical, “A mulher na lei eleitoral”, onde critica António José de Almeida por não contemplar, na primeira lei eleitoral da República, o sufrágio feminino restrito

"A mulher na lei eleitoral

Saiu, finalmente, a lei eleitoral. Como já o esperávamos, o voto feminino não foi sequer nela estabelecido, como princípio progressivo e democrático.
Como o prevíamos, a mulher continua a ser na República um valor nulo, para não dizer negativo.
A mulher paga impostos como o homem, a mulher pode negociar como o homem, a mulher é médica como o homem, a mulher é a professora, é a educadora, é a dirigente de muitas casas e indústrias, a mulher pode ser tudo... menos cidadã livre duma pátria livre.
Como as praças de pret, os indigentes, os pronunciados por crimes não julgados, os interditos, os falidos, os portugueses por naturalização, - as mulheres, sejam elas quais forem, não têm uma só voz que corresponda a um voto!
Nós já o prevíamos e por isso nem sequer nos indignámos, porque a República, nesse ponto, já não nos podia dar nenhuma surpresa.
Quando o sr. dr. António José de Almeida lançou a ideia de que as mulheres republicanas se juntassem numa Liga de propaganda política, teve a amabilidade de pensar no nosso nome para encetarmos os primeiros trabalhos da agremiação. Nessa ocasião dissemos a s. ex.ª o mesmo que lhe dizemos hoje: - «politicamente, a República será para os senhores; nós continuaremos a ser dentro dela o que somos hoje, com algumas modificações nas leis que não poderão deixar de ser modernizadas pela força das circunstâncias. Nós somos mulheres, quer dizer: na sociedade constituída criaturas sem direitos políticos nem civis; a República – governo olhará para nós com o desdém com que os governos monárquicos nos têm sempre olhado. No entanto, como dentro do regimen actual nada poderemos avançar colectivamente, nem o povo receberá instrução e educação, nem as leis serão ao de leve modificadas, nem o dinheiro passará das unhas aduncas da burguesia afidalgada e das do seu rei; como o princípio monárquico só por si é um vexame para todo o ente humano que se preza de ser digno e altivo; como todo o país sofre desta asfixia moral que nos avilta, e que anula todos os nossos bons impulsos, gafando todos os caracteres e aniquilando todas as boas vontades, estarei a o vosso lado, falarei às mulheres liberais, dir-lhes-ei o caminho que leva à República, que é uma “etapa” vencida para mais útil caminhada.
«Mas faço-o na certeza de que receberemos a resposta que a primeira república francesa deu às mulheres que a ajudaram a fazer...».
O sr. dr. António José d’Almeida protestou que tal não sucederia, porque ele era fiador do partido republicano perante a Liga política que desejava se formasse. E o que nos disse particularmente, proclamou-o na primeira reunião da Liga num magnífico discurso que a direcção fez publicar na revista «A Mulher e a Criança», órgão da mesma agremiação.
Apesar das suas promessas, confirmadas pelos srs. drs. Bernardino Machado e Magalhães Lima, nessa reunião, e pelo congresso realizado aqui mesmo nesta cidade de Setúbal, duvidámos sempre... Não se conhece baldamente a história dos povos, que por seu turno raro fazem obra inédita, apesar de tudo o levar a esperar quando as modificações políticas ocorrem numa hora já adiantada da civilização.
A confirmação da nossa dúvida aí temos na lei eleitoral onde a mulher foi esquecida pelo próprio sr. dr. António José d’Almeida, sem a mais ligeira sombra de atenção pelas promessas feitas pessoalmente e pelas afirmações colectivas do partido.
Nós, as mulheres portuguesas, continuamos pois... a não ser portuguesas, porque todo aquele que não tem direitos civis nem políticos não é cidadão português.
A maioria das mulheres do nosso país aprovará entusiasmada talvez a omissão da lei, porque a grande maioria sente-se bem no seu papel de servidão; não se julga com direito nem merecimento para exigir mais. Pela nossa parte protestámos, embora sem indignação, porque só nos indigna o que nos surpreende.
Sem as leis do sr. dr. Afonso Costa, que foi o que menos nos prometeu e o que menos feminista era julgado, o Governo Provisório da República seria para nós a mais triste confirmação das palavras de Eclesiastes: nada há novo sob o sol...
Do senhor José Relvas, pelo ministério das finanças, donde menos se poderia esperar um qualquer triunfo feminista, tivemos a criação dos quinze lugares para empregadas na Junta do Crédito Público, o que não é nada para a enorme necessidade que a mulher tem de trabalhar e viver honestamente do produto do seu trabalho individual, mas que foi muitíssimo como princípio estabelecido.
Que o mesmo tivesse feito o sr. ministro do Interior, consignando como princípio o voto para um número limitado de mulheres, e já poderíamos contar com um triunfo moral a nova lei eleitoral.
Dizem-nos agora que trabalhemos para obter das «Constituintes» o que nos foi agora negado, por quem tão solenemente no-lo prometera na sua propaganda...
Valerá a pena tentar?!
Quase nos inclinamos a que não, porque quando um homem superior não se pode colocar acima dos precon-ceitos para fazer uma obra de justiça, o que poderá fazer uma colectividade em que a maioria há-de ser, como todas as maiorias, mais propensa ao comodismo das ideias adquiridas pelo hábito e pela educação?!."


Ana de Castro Osório
[O Radical, 19/03/1911]

[0019.] CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO BERNARDINO MACHADO [I]

*  5.º ANIVERSÁRIO || 19/03/1911 *

Sessão solene comemorativa do 5.º aniversário do Centro Escolar Bernardino Machado, presidida pelo respectivo patrono e secretariada por Ana Maria Gonçalves Dias e Aurora Pessoa. Esta, na qualidade de professora do Centro, lê um pequeno discurso, "pedindo que todos se interessem pela educação cívica e instrução do povo".

[0018.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [I] || MARIA VELEDA [II] || ESCOLA-OFICINA N.º 1

Ana de Castro Osório realiza em 19 de Março de 1908, no Centro Escolar Afonso Costa, a conferência “Educação cívica”


"Conferência
Na próxima quinta-feira, 19 do corrente, às 8 horas da noite, realiza no Centro Escolar Dr. Afonso Costa uma conferência sob o tema “Educação cívica”, a ilustre escritora sr.ª D. Ana de Castro Osório.
A alta competência da talentosa senhora em assuntos de educação, sobejamente demonstrada em muitas e preciosas obras destinadas a despertar nas novas gerações o amor ao estudo, ao trabalho, à honestidade e à mais elevada expressão do civismo, garantem ao público que assistir à sua conferência os mais sãos e salutares ensinamentos.!"
[Vanguarda, 15/03/1908, p. 1, col. 2]

[Vanguarda, 19/03/1908, p. 1, col. 2]

* MARIA VELEDA *

Maria Veleda assina na Vanguarda o texto "Um tema interessante", dedicado à importância da anunciada conferência de Ana de Castro Osório, numa altura em que só se pensa em eleições e se torna necessário "preparar uma geração altiva, e nobre, que saiba exercer a Justiça e defender a Liberdade".

[Vanguarda, 19/03/1908, p. 1, col. 3]

ESCOLA-OFICINA Nº 1 *

O jornal Vanguarda anuncia a realização da sessão solene da Escola no dia 19 de Março, estando prevista a participação de Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Ana Temudo Costa e Maria Veleda.

[Vanguarda, 15/03/1908, p. 2, col. 3]

[0017.] ARTUR LEITÃO [I] || 19/03/1908

* A REPÚBLICA *

Publica-se o primeiro número do jornal A República, dirigido pelo médico republicano Artur Leitão. 

Inclui, desde logo, a secção “Por Alto”, da responsabilidade de Ana de Castro Osório e, posteriormente, terá a colaboração de Adelaide Cabete, Maria Clara Correia Alves e Maria Veleda.

[0016.] JOSÉ LUÍS CARNEIRO FRANCO [I]

[14/09/1900-19/03/1969]

Filho de António Maria Carneiro Franco, nascido em Vila Maior, concelho do Sabugal, em 1860, e de Lucinda Augusta Rodrigues, nascida em Mortágua em 1866, José Luís Carneiro Franco nasceu em 1900, em Figueira de Castelo Rodrigo, e faleceu de doença oncológica a 19 de Março de 1969, nos Hospitais Universitários de Coimbra.

Irmão de Ernesto Carneiro Franco [07/11/1886-1965] que interveio activamente na implantação da República; de António Maria Carneiro Franco [22/10/1895-26/05/1946], alferes que integrou o Regimento de Infantaria 23 durante a I Guerra; e de Aníbal Carneiro Franco [n. 20/02/1903], professor antifascista que esteve preso por militância comunista em Caxias e em Peniche na segunda metade da década de 30.

Casado com a professora primária Berta da Conceição Gomes [25/11/1903-04/02/1994]; genro de João Gomes Júnior; e cunhado de José Gomes dos Santos.  

quinta-feira, 18 de março de 2010

[0015.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [III] || 18/03/1917

* 18/03/1917 *

A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas distribui, na sua sede, Rua dos Anjos, 6, 2.º, dinheiro e peças de roupa por cinco famílias de soldados mobilizados.

[0014.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [II] || 18/03/1912

* 18/03/1912 *

Uma deputação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas participa no cortejo organizado à chegada de Afonso Costa de Zurique, onde tinha estado a restabelecer-se de prolongada enfermidade. 

Liga reúne-se e exara na acta um voto de congratulação pelo regresso do estadista.

[0013.] LUISE EY [II]

* 18/03/1907 *

Ana de Castro Osório conclui no jornal Vanguarda o texto dedicado a “Luise Ey” [p. 2, cols. 4-5], cuja 1.ª parte saiu no dia 16.

[Vanguarda, 18/03/1907, p. 2, cols. 4-5]

quarta-feira, 17 de março de 2010

[0012.] ETELVINA LOPES DE ALMEIDA [I]

* ETELVINA LOPES DE ALMEIDA *

[17/03/1916-30/04/2004]

Nasce em Serpa a jornalista, locutora e jornalista Etelvina Lopes de Almeida, tendo falecido com 88 anos, a 30 de Abril de 2004, em Tábua.

Frequentou o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e um colégio interno, em Queluz. Começou por trabalhar na Rádio Renascença e, em 1945, quando já era locutora da Emissora Nacional, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, talvez influenciada por Maria Lamas, já que Etelvina Lopes de Almeida era também chefe de redacção da revista Modas e Bordados, dirigida por aquela escritora.

No âmbito do Conselho, participou nos eventos realizados aquando da Exposição de Livros Escritos por Mulheres de todo o Mundo, organizada, em Janeiro de 1947, na Sociedade Nacional de Belas Artes. 


No ano seguinte, devido a actividades oposicionistas, foi afastada da Emissora Nacional, só sendo reintegrada em 26 de Julho de 1974, na sequência da revolução de Abril desse ano. 

Terá também pertencido à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e continuou a trabalhar no Modas e Bordados até ser novamente despedida, por ter assinado, em 1962, “um documento da oposição contra a guerra de África”.

Em 1969, fez parte da lista de candidatos a deputados pela Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (C.E.U.D.). 


Já depois de Abril de 1974, militou no Partido Socialista, foi deputada à Assembleia Constituinte (1975-1976) e à Assembleia da República, eleita e reeleita pelo Círculo Eleitoral de Évora (1976; 1978).

Dedicou os últimos anos de vida à Fundação Sara Beirão – António Costa Carvalho, em Tábua, onde passou a viver permanentemente. 


A pedido de Ilda Soares de Abreu, redigiu, em 2001, o ‘(Auto) - Retrato’ para a revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, onde traçou sumariamente o seu percurso desde a infância até 1995, quando foi agraciada pelo Presidente da República, Mário Soares, com a Comenda da Ordem de Mérito.

[v. João Esteves, Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Lisboa, Livros Horizonte, 2005, p. 327]

[0011.] ALSÁCIA FONTES MACHADO [I]

* 17/03/1913 *

Nasce, em Lisboa, a escritora e esperantista Alsácia Fontes Machado.

Além da colaboração prestada à revista Portugal Feminino (1930-1936), escreveu assiduamente na Pensamento (1930-1940) e também na Coração e Cérebro (1935), onde se pronunciou sobre o feminismo e a dignidade da mulher. 


Usou os pseudónimos Cristina Alvor e Elsa Vaz.

[0010.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [I] + ASSOCIAÇÃO DE PROPAGANDA FEMINISTA [I]

* LRMP E APF || Conferência de Rudolphe Broda || 17/03/1913 *

A convite da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e da Associação de Propaganda Feminista, Rudolphe Broda, delegado do Institut International pour la difusion des Experiences Sociales, profere a conferência “Os resultados dos sufrágios das mulheres na Finlândia e Austrália”. 

A sessão é presidida por António Macieira, Ministro dos Estrangeiros, secretariado por Ana de Castro Osório e Joana de Almeida Nogueira, e decorre no Ateneu Comercial.

[0009.] MARIA VELEDA [I] || JULGAMENTO - 1909

Julgamento de Maria Veleda || Texto de Ana de Castro Osório || 17/03/1909 *

Julgamento de Maria Veleda no Tribunal da Boa-Hora, processada por um artigo considerado ofensivo para com a rainha D. Amélia. Ana de Castro Osório, no jornal A República, toma a sua defesa.

"A mulher perante a lei


Não se pode dizer que a mulher portuguesa tenha, neste momento, razão de queixa, sob o ponto de vista das suas reclamações sociais.
O que pedimos nós ao homem, considerado no seu papel antipático de senhor e tirano?
Igualdade de direitos e de deveres.
Ora é exactamente igualdade de direitos e de deveres que o homem nos concede, igualando-nos perante a lei... condenatória.
Certamente não é pela galantaria nem pela justiça que se manifesta a generosidade masculina em frente da questão feminista; mas, nunca foi pela bondade, pela razão, nem pela inteligente compreensão dos direitos alheios, que os senhores se viram compelidos a dar as liberdades que os povos escravizados lhes reclamaram, primeiro timidamente, depois com a altivez que dá a força da razão...
Perante a lei, o que somos nós, as mulheres, neste país ideal onde floresce a laranjeira e o céu raro despe a túnica de gala azul e oiro?
Perante a lei somos iguais aos menores e aos loucos como casadas; e, se como solteiras ou viúvas, temos mais alguns direitos e liberdades sociais e civis, temos ainda a classificação política de párias, concorrendo com o nosso trabalho e o nosso dinheiro para o Estado em que nenhuma influência directa podemos exercer.
Mas toda esta desigualdade e injustiça masculina desaparece perante a lei penal.
Então sim, então somos iguais aos homens, deixamos de ser menores, inferiores, doentes, incapazes, então... para sofrer as penalidades do código somos iguais aos nossos irmãos... no crime.
Se a mulher não fosse, pela ancestralidade da educação e dos costumes, uma escrava moral do preconceito, se ela tivesse bem desenvolvida e bem nítida na sua alma a noção da liberdade e a ânsia do triunfo, teria pensado há muito na injustiça de que é vítima e escolheria tranquilamente um lugar na galeria dos criminosos célebres, que é o único onde a igualam ao seu senhor e amo.
A lei é, como se vê, uma instigadora do crime.
Eis o motivo porque a notícia do processo movido contra a distinta escritora e polemista intemerata, Maria Veleda, não causou desgosto e sim nos orgulhou a todas nós, as mulheres liberais.
Por um artigo, aliás magnificamente escrito, em que o sr. dr. delegado do ministério público, como fiscal da lei, que não como colega da distinta publicista, supôs haver ofensas à sr.ª D. Amélia de Orleães e incitamento ao ódio contra aquela senhora, nós vamos ter um verdadeiro triunfo feminista.
É discutindo os preconceitos que eles realmente se nos apresentam ridículos e balofos, como ideias mumificadas duma outra idade.
É agitando a opinião pública que se despertam as consciências adormecidas pela acção nefasta do rotineirismo.
É encarando resolutamente o perigo que ele a maior parte das vezes se converte em papão ridículo, em sombra, em coisa alguma.
Quem vai responder no tribunal da Boa-Hora, na próxima 4.ª feira 17 de março (a cinco dias da abertura oficial da Primavera, na folhinha), não é Maria Veleda a escritora distintíssima, a professora ilustrada, a mãe apaixonada, a educadora consciente, a jornalista, a polemista, a conferente...
Não! Quem vai responder é a mulher!
Isto é; quem aparece diante dos julgadores levantando a cabeça honrada com a distinção que é conferida ao nosso sexo colectivamente, é a feminista, é a combatente, a reivindicadora dos nossos direitos.
Já que a lei nos expulsa com soberba da tribuna do juiz, da mesa do advogado, das cadeiras dos jurados e até do lugar de escrivão e de oficial de diligências, nós tomamos com dignidade e até com orgulho, o lugar de vítimas, que se rebelam, que é o que na sociedade tem agora o nosso sexo, neste acordar da consciência feminina, cansada de injustiças, cansada de sofrimento inútil.
Vamos assistir ao espectáculo curioso de ver como a lei considerando a mulher um ser nulo, politicamente falando, vai julgar uma mulher pelo crime que tem por corpo de delito o artigo em que, apenas sob o ponto de vista político, se encara a figura régia da sr.ª D. Amélia de Orleans.
O absurdo é cada vez menos permitido à razão humana, e absurdo é por certo este que nos põe em igualdade de circunstâncias perante o público para quem escrevemos e perante a lei penal que nos chama à responsabilidade do que dizemos, e nos coloca na sociedade e na família como uns entes inferiores ao homem, por mais que isso nos repugne e por mais que ele hoje queira atenuar a brutalidade das leis trogloditas que nos governam, vexados por uma superioridade que em sua consciência não podem reconhecer-se.
É com curiosidade e também com orgulho que todas as mulheres conscientes aguardam o julgamento do dia 17 como uma verdadeira lição de feminismo, que será perdida."

[A República, 17/03/1909, p. 1, cols. 5-6]